DUTRA aponta que a ideia não é perfeição; as esculturas são representações pelo arame

Talento. Conhecido como comandante da BM na região, Marcus Vinicius Sousa Dutra se revela artesão de mão cheia

guitarrista, saxofonista, vocalista e violinista compõem a banda que decorra a sala da família Dutra

O colono e seu filho indo para a roça, o policial, o roqueiro, a rainha egípcia. Personagens cotidianos que surgem lentamente enquanto o arame é torcido. Marcus Vinicius Sousa Dutra confessa que pensa no tema, mas nunca visualiza inteiramente o personagem que pretende materializar. Aos poucos isso vai acontecendo, como se o próprio material rígido conduzisse o artista.

Dutra é o mais novo artesão surgido no cenário da Cidade das Artes. Impressiona a qualidade do trabalho iniciado há apenas seis meses. Ele recorda que estava em Porto Alegre e precisava presentear um amigo, então o trabalho de um artesão de rua chamou sua atenção. O montenegrino comprou uma das peças, um Ginete Laçador, e guardou em casa.
Um dia, ao analisá-la, resolveu que poderia ter sucesso na técnica que chama de “arte no arame”. “Olhei e disse: ‘acho que consigo fazer isso’”. Autodidata, tendo como experiência apenas alguns projetos em EVA, começou a experimentar, arriscar, refazer e moldar. A esposa, Luciana Andreia Weimar Dutra, formada em Artes Plásticas, foi a grande crítica e apoiadora no começo.

gestante com balde d’água na cabeça e o colono levando o filho junto para a roça são duas das mais bonitas de suas criações

Dutra absorveu os conselhos, mas seguiu se instinto e aprimorou muito a técnica. A escultura, que surgiu de forma casual, hoje ocupa espaço importante na vida dele, que fora de seu atelier é responsável por muitas vidas na região. É que ele veste — com orgulho, diga-se — a farda da Brigada Militar. Na corporação, Marcus Vinicius Sousa Dutra é tenente-coronel e comandante regional de policiamento ostensivo do Vale do Caí.

Uma terapia à carga pesada
Não é difícil imaginar quanto o trabalho de Dutra é estressante. E é depois de um dia nesta rotina que surgem as peças, como verdadeira terapia, válvula de escape. Ele senta-se em uma cadeira de praia ao lado da garagem e, com o material no chão mesmo, começa a moldar. “Neste momento os problemas somem. Não se precisa pensar no que fazer amanhã”, descreve, assinalando sempre que o celular funcional fica ligado ao seu lado.

primeiro surgem os esqueletos, que são a base para os personagens

Arames galvanizados e envelhecidos se transformam primeiro nos esqueletos, sobre os quais qualquer forma pode ser moldada. Materiais reciclados, bugigangas amontoadas no depósito e pequenos itens de bijuteria novos se transformam nas figuras expressivas com as quais Dutra presenteia amigos. Por enquanto ainda não é uma forma de renda. Focado e com tempo, leva no máximo duas horas e meia para terminar uma escultura.

 

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