A Páscoa pode significar algo diferente para cada um. Encontraremos mil e uma lições de amor relacionadas a essa data. É tempo de esperança de dias melhores para nós e para os que amamos. Convido vocês, hoje, a pensarem um pouco diferente; não na nossa vida e no que ela pode melhorar, mas em como nós podemos ser melhores pra uma vida. Mais precisamente, pra vida do animal que é o símbolo da Páscoa: fofo, peludo, mas que também sofre com o abandono.
Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim? Pra mim, não sei, mas o que trazemos pra ele pode ser desespero e dor. Muitos pais são levados a dar coelhos de presente aos filhos nessa data, porque as crianças se encantam por essas bolinhas de pelos maravilhosas. Quem não se encantaria?
O coelho é um animal; dá-lo de presente envolve a capacidade de lidar com uma vida que, a partir daquele momento, será responsabilidade da família. Esta não deve ser uma decisão impulsiva. Em cativeiro, os coelhos podem viver até 10 anos de idade; isso quer dizer assumir um compromisso de uma década.Por característica, eles roem de tudo; alguém que quer ter um coelho precisa saber disso.
Por desconhecimento de seus hábitos e de sua nutrição (mas nem só por isso), os coelhos podem ter problemas dentários, em que o crescimento exagerado causa lesões e dor, impedindo a ingestão correta de alimentos e causando distúrbios digestivos. Além disso, comem basicamente gramíneas e outros vegetais, como verduras escuras. Frutas podem ser oferecidas como petiscos às vezes, mas com cautela. A cecotrofia é um hábito dos coelhos – não um problema – e também deve ser conhecida pelos tutores. É importante considerar as diferenças que envolvem manter um coelho em comparação ao cão ou gato, e pensar bem se se pode arcar com profilaxia e tratamentos veterinários.
Os coelhos são capazes de interagir, brincar e alegrar a casa.No entanto, há quem desista deles quando crescem e desenvolvem sua personalidade individual, ou quando a criança perde o interesse, ou se roem um objeto caro, fazem suas necessidades no lugar errado, ficam doentes.
O abandono é doloroso para qualquer espécie. Nunca se deve adotar ou adquirir um animal sem pensar muito bem sobre isso; eles não são descartáveis. O ideal é conhecer a espécie e conversar com um Médico Veterinário pra tomar essa decisão. Aquele animal fofinho que é um presente de Páscoa, tempo de amor, e que não é um objeto, pode ser a próxima vítima do abandono.
Nessa Páscoa, saiba que um coelhinho pode se tornar parte da família sim, e fazê-la muito feliz, mas é preciso responsabilidade ao tomar essa decisão. Se as crianças querem um coelho e a família não pode lidar com a responsabilidade de longo prazo, é possível ensiná-las sobre amor, compaixão e empatia, explicando que uma vida não é brinquedo. O animal sente fome, sede, frio, medo. Às vezes, amar é justamente abrir mão.
De presente de Páscoa, existe algo que você, eu e todo mundo podemos dar a uma criança e que não tem preço, mas tem valor: podemos ensiná-la sobre respeito pela vida. A educação molda os cidadãos do futuro, que é logo ali. O amor e a empatia mudam o mundo pra melhor, sempre. Que essa época de reflexão nos traga cada vez mais consciência sobre o valor das vidas pelas quais escolhemos nos responsabilizar. Feliz Páscoa.

Ana Clara Stiehl
Cronista

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