O presidente pirado da Coréia do Norte, Kim Jong-un, é um apaixonado por foguetes, ogivas nucleares, conflitos. Já que nem ele, nem o país dele têm algo melhor a oferecer para a humanidade, oferece a possibilidade de um armagedon no qual se masturba. O que, cá entre nós, não é pouca merda. O prazer dele é nos f… ralar.
Em sua trajetória rumo ao caos, o piromaníaco oriental encontrou outro à altura. O Quatrilhonário Donald Trump, um Tio Patinhas com poder político, seu espelho ocidental. Tão psicopata quanto, tão falastrão quanto, o personagem bizarro que nem Disney ousou criar. Estão de birra um com o outro. Um cospe no chão, o outro passa o pé no cuspe. Um xinga a mãe, o outro mostra uma marinha de guerra capaz de pulverizar cinco planetas. O prazer de Trump não é muito diferente do prazer de Kim.
Enquanto medem forças, e antes que o mundo acabe, o que nos resta senão amar?
Amar o trabalho, amar os filhos, amar a paz, a música, a arte, a literatura. E ela, claro. Como canta Nei Lisboa, linda névoa viva. E Nando Reis, que afirma: te amarei até o mundo acabar. Também diz: “as loucuras que me levam a você me fazem esquecer que não posso mais chorar”.
E não choraremos! Amaremos, de janeiro a janeiro, até o mundo acabar.
O mundo de cada um acaba de qualquer forma. E nem é pela ação dos doidivanas da hora. É pela natureza mesmo. Mas é uma estupidez extrema querer que o mundo dos outros acabe junto. Alguém devia dizer aos insanos de plantão: deixa os outros, deixa as pessoas. Mas não adianta. Se as pessoas gostam de pirados no poder, fazer o quê? Até no Brasil tem um louco correndo na raia. Vai que ganhe?
O certo é que, quando o mundo acabar, o amor será proibido. E teremos guerra pela manhã, pela tarde e pela noite. E o mundo está prestes a acabar. Um tempo, num futuro próximo, em que não haverá mais flores lindíssimas, sequer jardins. Poesias e seus autores sumirão, junto com seus leitores mais encantados.
Mas não quero me adiantar ao fim do mundo. Posso ainda fazer uma declaração de amor, até para provocar os vampiros da beleza, que sobrevoam nossa democracia, esperando o melhor momento para dilacerar nosso peito e transformar nosso coração em nacos de carne para abutres.
E se, ao final disso tudo, restar um mundo ou não, restar um planeta ou não, continuarei crendo que nosso esforço não foi em vão. Tudo que foi criado de mais belo, tudo que foi construído pela humanidade para gerar alegria, beleza e prazer, faz parte do nosso compromisso com a vida. Ela curta. Tão curta que nos revolta. Mas creio que devamos fazer parte dos processos que nos definem, e não dos que no definham.
E o nosso compromisso é sério: é até o mundo acabar! Se o mundo ainda existe, e ainda estamos vivos, manteremos a promessa. Dependendo da situação, dos navios de guerra e das ogivas atômicas, talvez tenhamos que amar por metáforas. Amo amar por símbolos. Eu digo que amo a lindíssima flor de um jardim. E talvez ela diga que ama uma poesia sem autor.
Loucos estão no poder. Outros estão na fila. Drummond dizia: amar se aprende amando. Sugiro que sejamos a voz que canta uma canção de ninar no caos. E afagarei os cabelos dela e beijarei seu rosto enquanto dorme, de forma terna, enquanto as ogivas de Kim e Trump se beijam no ar e incineram o mundo.
Porque manter vivo o que é lindo, alegre e prazeroso é o que interessa, até nosso mundo acabar.

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