foto: reprodução internet

Crescemos ouvindo o ensinamento de que nunca deveríamos pegar aquilo que não é nosso. Em casa, na escola, no catecismo… apesar disso, insistimos em andar por aí recolhendo tudo o que for possível; carregando, inclusive, e além dos nossos, os problemas dos outros.
Ajudar os demais, compartilhando o peso das suas cargas, é gratificante e pacificador; mas sempre existe alguém focando, não em resolver os seus problemas, não em dividir, mas em multiplicá-los, fazendo da sua própria existência um transtorno geral. Enquanto há aqueles que nos fazem ganhar o dia, existem especialistas em pôr tudo a perder. É claro que algo partilhado pode ser maravilhoso, que solidariedade é algo muito bom; mas assumir as cargas alheias, seja por livre e espontânea vontade ou porque são jogadas pra gente (por pessoas convencidas de que é nossa obrigação abraçar todas as dores do mundo), é muito perigoso.
Assim como algumas plantas e animais, certas pessoas são tóxicas. Porém, ao contrário dos primeiros, não há cores ou padrões avisando do perigo quando alguém se aproxima tentando envenenar nosso dia; pessoas assim andam camufladas, e uma coisa é certa: ficar ao lado de quem nos transfere os seus problemas não faz bem nenhum. Lembro de uma frase do Dalai Lama, mais ou menos assim: “Se alguém procura um lugar para jogar o próprio lixo, que não seja na sua mente”. Contaminar o nosso estado emocional, e comprometer o que poderia ser bom, é tarefa fácil… basta algum incidente de trânsito, alguém nos mandar passar por cima; falar que o seu problema é falta de macho (seja você o que for). Um texto na internet; uma frase no trabalho. Uma palavra. Um olhar atravessado, não compreendido. Pequenos estragos, que não modificam a nossa vida em nada, mas que são capazes de arruinar o nosso humor e nos deixar remoendo um problema que não é nosso.
Há uma centena de teorias a respeito das energias que emanamos. A fórmula apresentada por Rhonda Byrne, autora de O Segredo, é simples: peça, acredite e receba. Podemos escolher aquilo que recebemos; o que andamos juntando por aí. O bem é inerente ao ser humano; por isso a maldade é tão chocante, e seja corriqueiro nos entregarmos aos sentimentos, sem pestanejar.
Viver o mais leve possível; escutar problemas sem a necessidade de vivê-los. Refletir e racionalizar a situação.Se estamos devendo um chimarrão, jantinha ou bate-papo a quem gostamos, por que dar tanta importância ao que me faz mal?
Digamos não; não vamos nos entregar. Vai doer; vai. Mas logo estaremos canalizando a nossa energia em algo muito melhor do que aquilo que não nos pertence. A grande verdade é que adversidades chegam a todo instante.Todo mundo tem problemas; independente de idade, cor ou classe social. Alguns preferem tratar, outros superam sozinhos, e cabe a cada um de nós a prática da empatia, da gentileza e cooperação, escutando os problemas alheios, sem torná-los nossos. Evitando guardar nos nossos bolsos todas as dores do mundo.

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