Minha primeira visita ao Cristo Redentor durou cerca de oito minutos. Somando o percurso de táxi, a fila para o trem e o trajeto para chegar lá em cima, quase duas horas. Aos pés do Cristo, uma rápida olhada, na imagem e na vista. Uma foto. Oito minutos foram mais que suficientes.
Rimos, eu e meu marido, quando a moça ao nosso lado disse que “poderia passar o dia todo aqui em cima”. Não um riso debochado, mas de cumplicidade, de quem se dá conta do tamanho da sua pressa. Na hora foi inevitável pensar que ela tinha mais tempo do que a gente; mas, provavelmente, tínhamos prioridades diferentes. É preciso maturidade para definir prioridades diante da estreiteza que é a vida.
No documentário QUANTO TEMPO O TEMPO TEM, de 2015, vários pensadores discorrem sobre a vida que vivemos e o uso do nosso tempo.
Quanto tempo a gente tem? Ainda tem?
Tem palavra que se vive. E o tempo é a mais urgente. É urgente para todos nós. É uma palavra universal, democrática. A cada dia, todos nós recebemos as mesmas 24 horas, independente de condição financeira, raça ou religião. Porém, o uso que faremos de cada segundo é opção exclusiva de cada um. A medida do tempo não é a mesma para nenhum de nós, no entanto, esbarramos todos no mesmo problema: a falta dele. Foi Mário Lago quem disse que “o tempo não comprou passagem de volta”.
Vivemos com nossas horas contadas, pingando em nossa testa, gotejando a escassez dos ponteiros. Não raro, optamos por tentar multiplicar nossos momentos, agrupando tarefas para fazer render o dia: há quem escove os dentes no chuveiro, quem fale ao celular enquanto dirige. Penduramos o futuro nas alças do presente e atropelamos cada etapa vivida. Tomamos café da manhã ansiosos pelo sabores do jantar. E, como se não bastasse, bebemos o café da segunda esperando pelo jantar de sábado, contando os dias para a nossa aposentadoria. Em meio a esse turbilhão, ainda precisamos escolher quem amar, qual livro ler – nos lembra o inventor Raymond Kurzweil no documentário sobre o tempo.
O relógio, refinamento dos prazos, corre contra a gente. Tecnologias, que deveriam agilizar nosso dia a dia, acabaram nos transformando em escravos dos aplicativos.
“O tempo ficou mais rápido? Mais curto?” São perguntas para refletir a partir dos depoimentos de Domenico de Masi, da Monja Cohen, Arnaldo Jabor, entre outros. Se você tiver 76 minutos sobrando, vale a pena assistir o filme de Adriana Dutra e Walter Carvalho.
Quanto tempo ainda tenho? Essa pergunta implacável, que nos acompanha pela vida toda, é o que nos move, nos instiga. Outro Mario, o Quintana, também poetizou o tempo: ”se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio”. Ah, se eu tivesse maturidade o suficiente…

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