Há muito ruído.
Tempo, esforço e saliva perdidos com justificativas. Textos e pretextos. Excessos.
Mesmo quando damos a última palavra, nunca é o suficiente. Parece que saímos em desvantagem quando não gritamos mais alto, quando nosso argumento não é o melhor; quando ouvimos, apenas.
Já li em vários lugares que tudo aquilo que não dizemos nos adoece; mas, e vomitar palavras, machucar com palavras? Será que não é o contrário? Mesmo escolhendo expressões requintadas, tentando amenizar ao máximo uma ofensa, dizemos; nem sempre o que queremos, mas aquilo que, acreditamos, os outros deveriam ouvir. E aí? O filtro do respeito não faz mal a ninguém e ele passa pelo silêncio. Li, também, que o que não dizemos torna-se adeus; pois acredito que sim! A vida é curta e há muito mais a ser esquecido do que discutido, e que nos custe um adeus. Melhor assim.
Vale a pena elucidar fofocas e revidar provocações? Rever o que nos faz mal? Quanta energia estamos dispostos a desperdiçar com isso?
Fosse tão fácil definir a vida em poucas palavras: quarentona, professora, casada. Mas não; não é. Não sou só isso. Todos, somos mais. Somos nossas peculiaridades. Dentre as minhas, gostar, precisar de silêncio.
Amo aquele silêncio amanhecido, da casa inteira dormindo, quando sou capaz de ouvir meus passos e minhas juntas cedendo à idade. O sossego da torneira pingando na madrugada sem os resmungos dos insones. Gosto da calmaria das bibliotecas cheias; da sua acústica controversa. Admiro os monges. Acho bonita a mudez engasgada de quem tem muito a dizer, mas optou pelo silêncio. Subterrâneo, solitário, sereno. Shhh…
Valorizamos demais a palavra falada e esquecemos daquilo que é dito através dos olhos, do corpo, pelos gestos. Estamos acostumados a nos relacionar através dos sons. De jogar conversa fora, não pela distração de jogar conversa fora, mas pela necessidade de preencher o tempo e a vida dos outros com a gente mesmo. Por vaidade. E não aguentamos ouvir outra pessoa por muito sem interrompê-la com uma história nossa, que julgamos melhor. Quando o outro fala, sempre oferecemos conselhos; precisamos aprender a oferecer o nosso silêncio?
As pessoas já estão acostumadas ao burburinho. Têm necessidade das nossas palavras e não compreendem que, se não respondemos, o problema não é com elas. Apreciar o silêncio não é desgostar da família, dos amigos. É descansar a alma.
Uma escuta atenta é capaz de revelar que, como diz o ditado, o silêncio também é resposta; nossa pequena afronta às estranhezas do mundo. Precisamos nos poupar.
Há muito ruído, afinal.

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