Patrícia, Franz, colunista, dia a dia, escritora, crônica

Admiro pessoas sinceras. Refuto as maldosas. Ou malcriadas, como prefiro chamar.
Segundo o dicionário, malcriado é “aquele que denota desrespeito, grosseria”.
Em tempos onde encontrar meios-termos anda muito difícil, até a verdade pode ser levada ao extremo e utilizada como uma arma. Sem freio, a franqueza, que deveria ser uma virtude, é usada para julgar e humilhar. A honestidade, que sempre deveria ser encarada como algo bom, transformada em instrumento de tortura na mão dos falsos moralistas, de discurso bonito e atitudes hostis. Afinal, dizer tudo o que se pensa, que todos estão sempre errados diante da sua infinita sabedoria, ou, simplesmente, que o cabelo do outro é feio, é transparência? Posar de virtuosa, considerar-se tão autêntica e achar ser mais do que as demais, fazda gente uma pessoa assertiva? Sinceramente?
Faz da gente, no mínimo, um chato.
Pessoas com noções deturpadas de lisura confundem honestidade e inconveniência. A estupidez para com os demais vai na contramão dos bons sentimentos apregoados por quem acredita estar acima do bem e do mal. Opiniões desmedidas são sempre desnecessárias.
A linha entre sinceridade e grosseria é tênue, por vezes equivocada, e todo mundo acaba escorregando nas palavras vez que outra. Porém, há quem insista, quem não reconheça a diferença entre franqueza e falta de educação. Para pessoas assim, não há título, nem instrução, nem dinheiro que compense a falta de trato; são as donas da verdade e, convencidas disso, que se exploda o mundo! Dizem que têm personalidade forte, quando, na real, lhes falta discernimento. Ou lhes sobre maldade. Gente que usa a honestidade como escudo para ofender os outros, a sinceridade comodesculpa, como pretexto, geralmente disfarçando o que são de verdade: pessoas mesquinhas, que vivem se justificando. “Sou assim mesmo! Não tenho papas na língua!”
Cada um de nós é dono das suas verdades; alguns, porém, têm o entendimento de que ela não é única nem absoluta. Convivemos com pessoas intransigentes, mas é certo que ninguém gosta de humilhação e desrespeito. Tolerância tem um limite que, quando ultrapassado, pode causar um grande desastre.Ou não, se a gente souber evitar bater de frente, permanecendo a uma distância segura daqueles que fazem da sinceridade um carro desgovernado.

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