– O que você quer fazer esta noite, Cérebro?
– A mesma coisa que fazemos todas as noites Pinky; tentar conquistar o mundo.
– Daqui? De Montenegro? Depois eu é que sou o estúpido…
– Daqui sim! Afinal a dominação tem que começar em algum lugar.
– E como faremos isso apenas com esse computador velho, Cérebro? Se nem o nosso homem na Coréia do Norte e sua bomba de hidrogênio conseguiram…
– Não seja tolo Pinky! A internet é uma arma muito mais poderosa!
Criaremos cartilhas; a Cartilha da Dominação, com a nossa versão da História. A Cartilha da Verdade, onde a nossa opinião reinará única e absoluta. Refutaremos qualquer hipótese que contrarie os nossos ideais e a nossa vontade. E então seremos os donos da verdade e, logo, do mundo inteiro!
– Não consigo acompanhar seu raciocínio, Cérebro. Seus sonhos são grandes demais.
– Eu não sonho Pinky; eu penso. E não penso grande, penso enorme!
E quem pensar diferente de mim, quem ousar abrir a boca, será chamado de… De… De terrorista! No mínimo!
Nossa palavra de ordem será doutrinação. Traçaremos o perfil dos inimigos, dos resistentes e dos dissidentes, e todos serão esculachados. Diremos que são preguiçosos. Adoradores do demônio. O diabo! Perdedores. E logo seremos os únicos a ditar as regras do jogo.
– Não se esqueça dos professores, Cérebro. Esses não padecem.
– Isso já está encaminhado. Meu plano prevê salas de aula lotadas, alunos doentes, com fome e todo o tipo de problemas, que os professores terão de resolver sozinhos. Escolas caindo aos pedaços. Serão cobrados cada vez mais. Extirparemos seus direitos, não pagaremos seus salários. Perseguiremos a todos. Serão levados à exaustão. E, assim, ao invés de tentar nos rebater, estarão mais preocupados em desviar dos buracos nos assoalhos das escolas e em não afundar em dívidas.
Aí sim, iremos novamente para as redes sociais, acusando-os pelos altos índices de repetência, pelo analfabetismo funcional e por toda essa gente ignorante que ainda irá me adorar.
Agora seja útil: me ajude a encontrar o dicionário. Preciso de mais algumas palavras difíceis para abastecer os novos ataques. Incrível como as pessoas admiram aquilo que não compreendem.
– Dicionário? Ah não, o calço da mesa não…
– Cale-se!
Viu como funciona? Repetirei nossos chavões; ofenderei e ameaçarei. Até que todos se calem, como você. Até que o mundo se cale diante de mim.

Nota: E se no princípio era só o silêncio, no fim também será.

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