Uma das minhas grandes frustrações é não saber cuidar de plantas. À revelia dos meus pais e avós, sou um desastre. E nem é que me falte conhecimento, porque o que mais temos hoje em dia são guias e tutorias para tudo nesse mundo. O meu problema é outro: não tenho mão boa para plantios e cultivos, e admiro demais as pessoas como a minha amiga e colega de trabalho Simone, que tem jeito de sobra.
Quando recebemos alguma visita lá na Biblioteca da EMEF José Pedro Steigleder, é com muito gosto que a Simone corre para dar um toque a mais no ambiente com uma das plantinhas dela. E ela não faz ideia de quanta poesia que há contida nesse cuidado e carinho, nas suas palavras cada vez em que fala das suas flores e mudas.
Nesse ambiente, repleto de livros e ornado pelas plantinhas da Simone, os alunos da turma 51, com sua professora, também Simone, acolheram e foram acolhidos pelos escritores Bruna Beber, Nícolas Behr e Carlos Fernando Leser (patrono da nossa Biblioteca) numa conversa sobre “O Lugar da Poesia”. Nesse encontro, iniciativa do SESC, as crianças de lambuja ainda conheceram o Mateus Araujo, que é um cara que vive fazendo arte por aí.
Os alunos, sabedores de que Nícolas e Bruna, vindos de cidades maiores e mais conhecidas do que a nossa (Brasília e São Paulo), apresentaram Montenegro, alguns de nossos escritores e uma poesia falando da nossa terra. Falar da nossa terra é dizer que moramos na Cidade das Artes, e que aqui tem, além dos escritores, uma porção de gente boa batalhando para a cidade prosperar; é falar, por exemplo, da Lisa Borchardt, da Rejane Rammé e de todos os nossos artesãos e voluntários.
As crianças conheceram mais sobre a vida e o processo criativo dos poetas. Ouviram que os dois começaram a escrever quando tinham, mais ou menos, a idade deles; a Bruna porque foi incentivada na escola, o Nícolas, intrigado com a licença poética dos escritores, descobriu que o poeta poderia mexer e brincar com as palavras. Refletiram com eles sobre infância e ecologia. Entenderam que os momentos de leitura na escola fazem toda a diferença, que poesia não precisa de rima, e, sim, de sonoridade. Que palavra é semente; enraíza no papel. E, ao final dessa conversa boa, plantaram uma bergamoteira com o Nícolas no pátio da escola; pátio esse que está sendo revitalizado por ocasião de um projeto lindo dos oitavos e nonos anos, com a professora Fabiane. Os alunos do turno da manhã, além de cuidar dos recreios dos pequenos, distribuem mensagens positivas pela cidade.
Nossos Tribeiros ficaram encarregados dos cuidados com a bergamoteira do Nícolas, como foi carinhosamente apelidada. Mas, com certeza, a Simone vai acabar ajudando, assim como costumamos nos ajudar por aqui.
O lugar da poesia, para além dos livros, das bibliotecas e livrarias, com certeza é uma escola. Uma escola viva, como a nossa, que acolhe tantas pessoas de mãos e cabeças boas.

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