Não raro utilizo palavras desconhecidas pelos mais jovens. Antigas; do meu tempo, digo eu.
Expressões não tão antiquadas como aquelas da crônica Antigamente, de Carlos Drummond de Andrade. O tempo dele, o antigamente dele, é mais passado do que o meu; não sou, como ele, datada em quando “as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas.” Mas compartilho dos dias em que “certos tipos faziam negócios e ficavam a ver navios; outros eram pegados com a boca na botija, contavam tudo tintim por tintim e iam comer o pão que o diabo amassou lá onde judas perdeu as botas.”
Nesse meu tempo, que deixo para trás dia após dia, algumas palavras também tinham outra conotação.
Compartilhar é uma delas.
Outrora compartilhar era fazer parte de algo com alguém, repartir. Mas, como os tempos são outros, e presente pertence, em grande parte, às redes sociais, a aplicação do termo também mudou: compartilhar, que antes era dividir, agora é multiplicar.
Há que se ter cuidado com o conteúdo partilhado para não nos tornarmos rasos, meras vítimas da era digital. Será que dá tempo de compreender, de filtrar, tudo que se compartilha?
Na última semana, tivemos a Feira Literária na EMEF José Pedro Steigleder. Certo que, para compartilhar conhecimento, toda hora é hora, mas uma Festa Literária tem seu valor. Todo educador sabe disso, todo escritor. Todo mundo precisa saber.
Durante a Feira, recebemos pessoas que abriram mão do trabalho, da família, do seu tempo de lazer, para trocar conhecimento. De um lado Leser, Pedro Stiehl, Gerson Kauer, Magnus Pilger, Adriana Pimentel, Célia Ávila, Rafa Rafuagi e Daniela Heckler (que time!). Do outro, a gente: comunidade escolar. E foi como num jogo, em que todo mundo joga junto e todo mundo ganha no final.
E como foi bonito!
Que bom que há escolas e escritores que acreditam, resistem e persistem em Feiras do Livro. Dividir ou multiplicar numa hora dessas já não importa. O fundamental é que somos muito felizes por compartilhar momentos como esse.
Em todos os sentidos!

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