foto: reprodução internet

Hoje é 23 de abril, data em que comemoramos o dia internacional do livro.
Comecei a ler oficialmente aos sete anos de idade, já na primeira série, apesar de, há muito tempo, me interessar pelos velhos livros da minha mãe. Na época, na falta de maiores estímulos, meu interesse praticamente nasceu e cresceu sozinho.
Quase quarenta anos depois, concorrendo com todo o tipo de avanço tecnológico, mais do que nunca, é papel da escola e da família entender e acompanhar as práticas culturais das novas gerações. Todos nós consumimos informação o tempo todo, não, necessariamente, lendo. Nossos jovens já não querem, ou não sabem, pesquisar em livros; diante disso, decidi adquirir uma enciclopédia para os meus filhos. Qual minha surpresa quando me deparei com a edição multimídia clássica.
Os tempos mudaram, e a literatura deveria habitar o cotidiano cultural de todas as pessoas. Conhecedores do velho ditado de que “o exemplo é o melhor ensinamento”, tanto a família, quanto os educadores, na tentativa de despertar o interesse pela leitura, deveriam servir de modelo; fato, porém, que não é a realidade que se apresenta.
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada em 2016 pelo Instituto Pró-Livro, revela um cenário otimista em relação aos leitores juvenis; acompanhando isso de perto, de dentro da escola, também posso testemunhar o legítimo e crescente interesse das crianças pelos livros. Contudo, quando jogamos luz sobre o leitor adulto, vislumbramos que seu interesse literário decai à medida em que aumentam suas responsabilidades. Crescemos não leitores.
Qual o nosso problema? Não é falta de tempo, como costumamos alegar; é falta de prioridade.
E qual a nossa prioridade?
Trinta por cento dos brasileiros entrevistados para a pesquisa nunca comprou um livro. Educação e cultura são espaços estratégicos para o progresso de uma nação. É perverso que apenas um em cada quatro habitantes esteja habilitado para a leitura que, além dos benefícios cognitivos e do lazer proporcionado, credencia para a participação social e o desenvolvimento da cidadania.
Sou um tanto cética quando tratamos de políticas públicas; no papel tudo é perfeito. Na prática, bibliotecas são fechadas e sucateadas. As casas dos livros não devem apenas subsistir, é necessário que estejam equipadas, que possuam recursos e humanidade.
Observamos, hoje, um sem número de iniciativas louváveis da ONGS, escolas, empresas e da comunidade para levar mais cultura e mais livros ao povo. Acervos, muitas vezes, são atualizados pela caridade dos escritores. Prêmios e campanhas dão visibilidade à importância da leitura. Temos datas; muitas datas: dia do livro, do escritor, da poesia. Do leitor e dia da literatura infantil. Um sem número de oportunidades para celebrar a literatura; para vivê-la. O melhor de todos? Indubitavelmente hoje.
Sempre!

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