Recentemente li em algum lugar a importância da pessoa ter convivido com gato ao menos uma vez na vida. Sim, porque tem pessoas que simplesmente odeiam gatos, dizem que são falsos, arrogantes e interesseiros.
O gato é por natureza independente e altaneiro. Sua autonomia em tomar conta de si e de suas crias é invejável. Este gracioso felino é capaz de transformar a vida de seu dono.
Gatos só fazem o que querem. Dificilmente fazem concessões e por isso são tão incompreendidos. Aproximam-se somente de quem querem e confiam. Gostam da companhia de seus donos mesmo que a certa distância. Uma distância necessária. Não exigem muito dele. Permitem-se amar e serem amados sem haver anulação de sua identidade.
A audição de um gato é quase sobrenatural, além de ouvir, reconhece o som do seu dono, caminha ao seu lado, ronrona, mia baixinho, mostra satisfação de maneira controlável. Está sempre alerta em nosso humor. Na menor manifestação de rechaço, liga o desconfiômetro e cai fora.
O gato é livre. Uma liberdade interior que ninguém lhe tira. Aprecia lugares altos, observa o ambiente, resolve seus grilos e quando se defronta com o sofrimento, enfrenta-o com bravura. Quando sente que a morte se aproxima, afasta-se do dono e vai morrer longe, certamente para evitar um sofrimento a quem ele, do seu modo, tanto ama.
Sempre tive gatos. Adoro observá-los e aprender com eles. Seu senso de família e responsabilidade com os filhotes é incrível. Entre os que tivemos lembro-me dum casal de gatos siameses. O Lord e a Lady.
O que mais me encantava era a incrível sabedoria do casal. Quando ela se cansava de amamentar, após uma noite mal dormida, o companheiro se aproximava, miava algo e ela miava algo em troca. Esta era a senha. Confiante, saía do ninho e após o alongamento em X ia fazer uma boquinha, tomava água e lagarteava ao sol. Ele iniciava seu trabalho com afinco. Dava banho, um por um, lambia tanto que ficavam molhadinhos.
Os filhotes adoravam aquele contato com o papai. Aconchegavam-se nele, fazendo-o sentir-se o mais feliz e realizado dos pais. Lady aparecia, olhava, via que estava tudo em ordem e voltava para o sol.
A aflição maior acontecia quando os pirralhos, quase desmamados, queriam conhecer o mundo afastando-se dela. Parecia o mesmo olhar e angústia sentido pelos pais quando do desejo de independência dos filhos. Os pais sempre acham que podem ensinar um pouco mais.

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