Relembrando e revivendo experiências da recente peregrinação no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, inúmeras são as lembranças que surgem, ora em sonho, ora nos momentos do dia a dia.
Embora esta tenha sido a terceira vez que faço esta caminhada, sempre em caminhos diferentes, é uma experiência única, pois o momento, a época, as limitações físicas e o itinerário nos proporcionam sentimentos e aprendizados pessoais que dificilmente sai de nossa memória, pois estão embasados às experiências ligadas ao afeto.
Por vezes desperto de um sonho onde me vejo saboreando cachos de uvas doces como o mel que é deixado de colher para o deleito dos peregrinos. Percebe-se que tanto em Portugal assim como na Espanha tem este conceito e respeito às necessidades dos caminhantes cansados que apreciam esta generosidade.
Nesta vez fiz o Caminho Português entre Porto e Santiago na Espanha durante 17 dias percorrendo aproximadamente 270 km.
Já havia sido alertada que a parte portuguesa seria difícil por causa dos morros e caminho íngreme ou então trajetos urbanizados que para o caminhante não são confortáveis, pois há necessidade de desviar de carros, tratores e caminhões.
A peregrinação à Santiago de Compostela tem vários itinerários, quase todos vindos da França e Espanha. O Caminho é conhecido há mais de mil anos desde que foi descoberto no ano 800 DC o túmulo de Tiago o Maior, irmão de João evangelista, apóstolos de Jesus Cristo.
Os peregrinos vêm de todas as partes do mundo, é uma verdadeira Torre de Babel. Estima-se que 250.000 pessoas percorrem os vários caminhos anualmente a pé ou de bicicleta. Há pessoas que saem de suas casas na França, Espanha, Holanda e perfazem mais de três mil quilômetros para chegar a Santiago, seguidamente mais de uma vez.
Motivos? São muitos: dar graças pela vida, vivenciar a historia identificada pelos castelos, pontes e vilarejos medievais ou, mais frequente, pela fé. Cada qual faz seu caminho, o trajeto é sugerido por mapas e sinalizações por flechas amarelas, mas o maior ganho é o caminho para o interior de si mesmo.
O tempo e o isolamento na caminhada proporciona, se a pessoa se permitir, oportunidade de se conhecer melhor, desnudar-se de seus grilhões e defesas e deparar-se com seu verdadeiro eu. Desta forma, no final de cada dia, desejo de abraçar a si próprio ou quetionar-se como está levando a vida.

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