Conta uma estorinha, que vários bichos decidiram fundar uma escola. Para isso reuniram-se e começaram a escolher as disciplinas.
O pássaro insistiu que houvesse aulas de vôo. O esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental. O coelho queria de qualquer jeito que a corrida fosse incluída. E assim foi feito, mas… cometeram um grave erro: Insistiram para que todos os bichos praticassem todos os cursos oferecidos.
O coelho foi magnífico na corrida, ninguém corria como ele. Contudo, queriam ensina-lo a voar. Colocaram-no em cima de uma árvore e disseram: “Voa coelho, voa”. Ele voou e se espatifou no chão. Coitadinho disseram os outros, ele acabou quebrando suas pernas. O coelho não aprendeu a voar e acabou sem poder correr também.
O pássaro voava como nem um outro, mas o obrigaram a cavar buracos como a toupeira, afinal fora combinado que todos deveriam fazer de tudo e, o episódio do coelho fora ignorado pelo grupo. O pássaro quebrou o bico e as asas e depois não conseguia voar tão bem e nem mais cavar buracos.
O esquilo, coitadinho, ficou assustado com o ocorrido, mas como havia participado das negociações, agüentou firme quando lhe foi solicitado que deveria nadar e mergulhar como os peixes e patos. Ele esperneou, tomou muita água e estava afundando quando foi salvo pelo jacaré, pois seu pêlo denso e molhado e a falta de nadadeiras o estavam empurrando para o fundo. “- Graças a Deus disse ao jacaré, você me salvou, porém estou traumatizado para sempre. Não saio mais de minha toca nem para procurar comida. Tenho medo até de chuva. Não sei o que será de mim neste inverno que se aproxima.”
O jacaré que assistira tudo do lago e fora envolvido involuntàriamente, disse em voz alta e forte: – “sabem de uma coisa? Todos nós somos diferentes uns dos outros e cada um tem uma ou mais qualidades próprias.” Todos concordaram.
– “Não podemos exigir ou forçar para que todos os animais sejam parecidos conosco ou tenham nossas habilidades.”
Fazendo uma analogia com nossas relações sociais; sejam familiares, casais, amizade ou mesmo nos empregos, facilmente nos lembraremos de experiências semelhantes. Quantas vezes desejamos ou até exigimos igualdade de idéias e ações de quem está próximo de nós. Desta maneira, desrespeitamos a identidade e as competências dos outros. O resultado pode ser catastrófico, causando insegurança e falhas em auto-estima.

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