Alimentos mais caros
Por mais justas que tenham sido as reivindicações dos caminhoneiros em sua greve, a paralisação trará um efeito negativo para a sociedade: não haverá como atender aos acordos fixados com a categoria sem aumentar o valor dos fretes. Em poucos dias, grande parte dos alimentos estará mais cara. Se soubesse disso antes, a população teria saído às ruas?

A escolha de um Papa nunca foi uma tarefa fácil. Cardeais do mundo todo são convocados ao Vaticano e, num ambiente fechado, sem interferências externas, inspirados pelo Espírito Santo, escolhem o novo líder da Igreja Católica. O processo costuma levar de dois a três dias, mas nem sempre foi assim. Historiadores contam que, no século XIII, num desses momentos críticos, suas eminências não conseguiam chegar a um acordo sobre quem deveria suceder a Clemente IV. O conclave iniciou em 29 de novembro de 1268 e não havia jeito de decidirem quem ocuparia o “trono de São Pedro”. Na época, a escolha era realizada na cidade onde havia morrido o pontífice anterior, neste caso, Viterbo, no interior da Itália. Como os cardeais não se entendiam e os meses iam passado, a população se revoltou. Trancou todos eles dentro da catedral e passou a alimentá-los apenas com pão e água. Ainda assim, nada de escolherem o novo papa. A insatisfação aumentou, até que as autoridades locais apelaram para uma medida ainda mais drástica: removeram o telhado do templo, deixando os “purpurinados” sob os efeitos da chuva e do frio. A confusão só terminou em 1º de setembro de 1271, 34 meses depois, com a coroação de Teobaldo Visconti, que assumiu com o nome de Gregório X.

Interesses – Este episódio é considerado, por muitos historiadores, o primeiro conclave, termo que deriva da expressão latina “com chave”. Passados 747 anos, ainda serve de paralelo para muitas situações do dia a dia, em que a arrogância marca as relações e macula a imagem de pessoas e instituições. Como a Câmara de Vereadores de Montenegro, por exemplo, que segue com a mesa diretora incompleta em decorrência de interesses contrariados e de uma boa dose de teimosia.

Ofendidos – O impasse – acreditem – ainda gira em torno da demissão de uma assessora com Cargo de Confiança pelo presidente Erico Velten (PDT), em fevereiro deste ano. A funcionária havia sido indicada pela vereadora Josi Paz, do PSB, na época, secretária da mesa diretora. Como Velten teria tomado a decisão sozinho, ela, o segundo secretário Juarez Vieira da Silva (PTB) e o vice-presidente Felipe Kinn da Silva (PMDB) renunciaram. Bancaram os ofendidos. Semanas depois, Valdeci de Castro (PSB) topou ser vice, mas as outras duas vagas seguem em aberto.

Nomeação – Com o passar dos meses, porém, a suposta revolta por não terem sido consultados parece que deixou de ser a causa da falta de entendimento. Velten acredita que o problema seria solucionado se cedesse à pressão para nomear um novo assessor, o que ele considera desnecessário. Aliás, foi exatamente esse o argumento usado por ele para justificar a demissão.

Leitura – Com os cargos de primeiro e segundo secretários vagos, todas as quintas, o presidente faz uma chamada entre os vereadores para verificar quem se dispõe a ler a ata da sessão anterior e o expediente. E, quase sempre, a maioria diz não, num ritual que deixa o público confuso. Muita gente acha que alguns vereadores não querem contribuir porque não sabem ler.

Nas últimas semanas, a exceção tem sido Talis Ferreira (PR), que acaba colaborando com a leitura para que a imagem do Legislativo não seja ainda mais arranhada.

Retaliação – Se fosse apenas a convicção de que Velten não tem condições de presidir o Legislativo, o movimento dos colegas até faria sentido. Porém, à medida que se trata de uma retaliação porque ele não quer fazer uma nomeação que considera desnecessária, perde legitimidade. Durante quase todo o ano passado, nesta vaga, o Legislativo manteve uma contadora. Detalhe: a contabilidade da Câmara é feita na Prefeitura.

Picuinha – E é nessa hora que o conclave de Viterbo vem à mente. Levando em conta o baixo nível desse impasse, talvez fosse a hora de trancar a Câmara com os vereadores lá dentro, até que entrem num entendimento e renunciem à picuinha. A pão e água – e de preferência sem salários – suas excelências chegariam rapidinho a um acordo.

Marca chinesa

EX-SECRETÁRIO Vaceli, prefeito e vice na entrega oficial, em 2010

Dizem que, de cavalo dado, não se olha os dentes. Porém, alguns prefeitos ficaram com o pé atrás na sexta-feira, durante a solenidade de entrega, pelo governo do Estado, de 576 máquinas e equipamentos agrícolas para 336 municípios. É que parte deles é da marca chinesa XCMG, que tem má fama em diversas regiões do Rio Grande do Sul, incluindo Montenegro.

Sucata – Em 2010, no segundo governo de Percival Oliveira, a Prefeitura adquiriu uma motoniveladora, uma pá carregadeira e uma retroescavadeira XCMG. Na época, o investimento foi de R$ 976.700,00, mas os equipamentos nunca puderam operar na plenitude. Viviam com defeitos. Uma sindicância aberta para investigar a aquisição concluiu que eram máquinas velhas, vendidas como sucata na China, remontadas, pintadas e comercializadas como novas no Brasil. Ainda há ações na Justiça pedindo ressarcimento.

Teste rigoroso – Na entrega oficial realizada sexta-feira pelo governador Sartori, Montenegro foi contemplada com uma retroescavadeira e um trator. As duas máquinas, porém, só chegarão à cidade nos próximos dias. “O trator sabemos que é da marca John Deere, mas da retro não conhecemos o fabricante”, diz o chefe de gabinete do prefeito, Edar Borges Machado. Pelo sim, pelo não, antes de irem para a lida, as máquinas serão muito bem testadas.

PDT em destaque
O Partido Democrático Trabalhista (PDT) do Vale do Caí se reuniu em evento festivo na sexta-feira, na Câmara de Vereadores de Portão. Por iniciativa do deputado Enio Bacci, a Assembleia Legislativa conferiu, em homenagem póstuma, a medalha da 54ª Legislatura ao ex-prefeito de Portão, Dary Hoff, que governou o município de 1993 a 1996 e também de 2001 a 2004. Ele morreu em 2012.

Liderança – Os mandatos fizeram de Hoff, nascido na Feliz, uma das principais lideranças trabalhistas no Vale, além de um empresário de sucesso na área de recapagem de pneus e postos de gasolina em várias regiões. A sessão de homenagem teve a participação do prefeito de Pareci Novo, Oregino Francisco.

Rapidinhas
* Mais alguém está achando o ex-vereador Renato Kranz quieto demais desde que assumiu o comando da Secretaria de Desenvolvimento Rural?

* Como o ex-prefeito Aldana não conseguiu voltar ao cargo, seus apoiadores estariam preparando um torpedo para atacar o governo Kadu, que o substituiu. Seriam informações sobre os bastidoresa da campanha de 2016?

* Aldana estava na cidade no dia do julgamento.

 

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