Após três meses de atraso, o governo do Estado finalmente está colocando em dia seus compromissos com o Hospital Montenegro. São R$ 4,7 milhões referentes às faturas de outubro, novembro e dezembro, que permitirão à casa de saúde colocar em dia as suas próprias contas. Infelizmente, a boa notícia foi ofuscada por uma série de críticas que o HM vem recebendo pela qualidade dos serviços no pronto-atendimento e até mesmo nos procedimentos eletivos, aqueles que são realizados mediante agendamento. A maior reclamação diz respeito à demora. Em ambas as situações, entre a chegada do paciente e o primeiro contato com o médico, transcorrem de quatro a cinco horas. Muitas vezes, isso é motivado pela triagem, que prioriza as situações mais graves, independente da ordem de chegada. Nas consultas especializadas, porém, o motivo costuma ser o atraso dos profissionais que prestam estes serviços.

Mais dinheiro – Para compreender a situação, é preciso fazer uma diferenciação. O pronto-atendimento 24h é um serviço pago pela Prefeitura, que optou por repassar ao HM a responsabilidade pelas urgências/emergências porque não possui uma estrutura própria com esta finalidade, embora seja sua atribuição. Os serviços têm qualidade e agilidade proporcionais ao investimento do Município. Se a Administração aumentar o valor, será possível contratar mais médicos e, obviamente, as filas irão diminuir. A demora, portanto, não pode ser creditada apenas ao Hospital.

Direitos e obrigações – Já as consultas e procedimentos eletivos são fruto de outros contratos, em que os profissionais assumem atribuições em troca de pagamentos pelos seus serviços. Há poucos dias, diante dos atrasos que agora estão sendo regularizados, os cirurgiões ameaçaram parar. Logo, se os médicos querem fazer valer os seus direitos, o HM tem obrigação de exigir que também cumpram suas obrigações. É uma via de mão dupla.

Horas e horas – Como o Hospital Montenegro é referência para 14 cidades, muitos pacientes chegam cedo, aproveitando o transporte oferecido pelas prefeituras, independente do horário da consulta. Nestes casos, não há como evitar a demora. Porém, se o profissional deve iniciar os atendimentos às 8h e chega às 10h, como muitas vezes ocorre, a espera acaba se tornando muito mais penosa, especialmente para os doentes.

Ausências – Segundo relatos de pacientes, também não é incomum, em algumas especialidades, os médicos não comparecerem, exigindo a transferência de todos os agendamentos daquela especialidade para outro dia. Dá para ter uma ideia da frustração e da revolta de quem está no aguardo desse atendimento, muitas vezes, há meses. E correndo risco de vida.

Despreparo – Voltando ao pronto-atendimento 24h, apesar das limitações orçamentárias, que resultam em filas desumanas, também não faltam relatos sobre o despreparo de alguns profissionais para lidar com a dor e a ansiedade dos doentes. Há casos pontuais em que atendentes deixaram de fazer as medicações receitadas pelos médicos ou simplesmente esqueceram de encaminhar os exames necessários ao diagnóstico. O problema parece ser maior à noite e aos finais de semana.

Denuncie! – O diretor do Hospital Montenegro, Carlos Batista da Silveira, reconhece que pode haver falhas. Contudo, ressalta que as ocorrências devem ser levadas ao conhecimento da direção para a adoção de providências. Limitações decorrentes de falta de dinheiro são justificáveis se o acolhimento for realmente humano.

Avaliação – Ferramenta muito utilizada no comércio para avaliar a qualidade do atendimento nas lojas, a contratação de um “cliente oculto” poderia ajudar a direção a identificar os problemas mais graves.

Rapidinhas
* Embora saibam que não serão atendidos, os vereadores apresentaram 37 pedidos de providências na primeira sessão do ano. Fora o que solicitaram diretamente ao prefeito. Tudo desinteressadamente. SQN.
* A vontade de alguns vereadores de assumir as máquinas da Prefeitura e sair trocando votos por obras é tão grande, mas tão grande, que talvez o cargo de secretário de Viação e Serviços Urbanos devesse ser preenchido por eleições diretas. Haveria mais candidatos do que a prefeito.
* Ex-vereador Renato Kranz, agora no PTB, deve assumir no Legislativo por duas semanas em março. Primeiro suplente da sigla, ocupará a vaga de Neri de Mello Pena, o “Cabelo”. Para sorte do governo e do prefeito Kadu, é pouco tempo para articular um processo de Impeachment.
* Deu no Jornal Ibiá de sexta-feira: “Autor de furtos é preso pela sexta vez somente em 2018”. Só existe um jeito de acabar com o prende-e-solta: mudar a legislação. Tarefa que cabe aos nossos bem pagos senadores e deputados federais que, infelizmente, não acham essa pauta importante.

Bancada dos carecas
No retorno das férias, não foi apenas a cor da cútis dos vereadores que chamou a atenção de quem acompanhou a primeira sessão do ano, na quinta-feira. Alguns estão particularmente bronzeados depois de uma passagem pelo litoral, o que é absolutamente natural. Quem surpreedeu foi Cristiano Braatz (PMDB), que chegou à Câmara com um novo leiaute: ele raspou a cabeça e, segundo alguns colegas, engrossou a “bancada dos carecas”, junto com Talis Ferreira, do PR.

Craterolândia
Não é por descaso que a Prefeitura ainda não iniciou uma operação tapa-buracos nas ruas de Montenegro. É que o forno da usina de asfalto da secretaria de Viação e Serviços Urbanos estava danificado. A recuperação iniciou no fim da semana passada e, em breve, a “craterolândia” deve dar espaço a vias públicas em melhores condições de trafegabilidade. A ideia, segundo o setor, é que duas equipes iniciem os trabalhos em dois pontos opostos da cidade e se dirijam, gradativamente, até o Centro.

Interior – E por falar em buracos, o agora presidente da Câmara, Erico Velten (PDT), pediu que o prefeito elabore um plano de ação para recuperar o parque de máquinas e melhorar as estradas do interior. Em apenas uma semana, o Legislativo recebeu as visitas de representantes de três comunidades rurais com apelos semelhantes. “Quando chega ao ponto de eles virem à Câmara é porque a situação está insustentável, as pessoas estão clamando por um auxílio. Lute por isto, prefeito!”, pediu. Kadu estava na plateia.

 

Mais de um por dia
A triste constatação de que, todos os dias, mais de uma casa ou estabelecimento comercial é alvo de furto em Montenegro demonstra a fragilidade da estrutura de segurança pública na cidade. Apesar de termos aqui uma escola que forma centenas de policiais militares todos os anos, o efetivo está muito longe de permitir que as pessoas estejam ou se sintam protegidas. Por mais que a Brigada se esforce, é humanamente impossível diante de tantas limitações.

Grito – A divulgação destes dados não deve ser vista pela corporação como uma cobrança sobre ela. É, na verdade, um grito de socorro da comunidade que, espera-se, os oficiais levem aos seus superiores.

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