Nas últimas semanas, mais de 15% dos deputados federais mudaram de partido, de olho nas eleições de outubro. Impulsionada pelo fato de ter um integrante na presidência da Câmara, a bancada do DEM foi a que mais cresceu durante o tempo conhecido como “janela partidária”. Trata-se de um período de 30 dias, no ano da eleição, em que os parlamentares podem trocar de endereço político sem o risco de perderem os mandatos que, por lei, pertencem às legendas pelas quais foram eleitos. Ao todo, 85 parlamentares aproveitaram a oportunidade de “pular a cerca”. Logicamente que a grande maioria não foi motivada por conflitos ideológicos. O combustível para a infidelidade é a mera conveniência eleitoral, muitas vezes, a simples oferta de dinheiro para financiar a próxima campanha ou a maior facilidade de se reeleger numa agremiação com maior expressão naquele momento político.

Maior perda – Os Democratas receberam a adesão de 14 deputados e apenas duas baixas. Quinta maior bancada da Câmara, o DEM está agora com 44 representantes, após ter iniciado a legislatura com menos da metade desse número: em 2015, eram 21 parlamentares filiados ao partido. Já os arranjos locais para o pleito de outubro foram a principal razão apontada pelo PMDB para a maior perda de integrantes ocorrida durante a janela. Embora tenha recebido oito parlamentares, a legenda perdeu o posto de maior bancada da Casa após ver 15 deputados se desfiliarem. Sobraram 53 ao todo.

Efeito Bolsonaro – Ao lado do PP, o nanico Partido Social Liberal (PSL) foi o que recebeu o segundo maior número de filiações durante o período: oito parlamentares migraram para a legenda, estimulados pela adesão do pré-candidato à Presidência pelo partido, o deputado Jair Bolsonaro (RJ). A sigla agora tem oito integrantes, após a saída de dois. Já o PSDB, quarta maior bancada da Câmara Federal, com 47 deputados, perdeu três e recebeu a filiação de dois. O PR, que está em sexto lugar em número de integrantes, com 41 deputados, perdeu sete e ganhou cinco parlamentares.

Maiores – Do lado da oposição, o PSB deixou de ter dez parlamentares, e dois se filiaram à sigla. A maior bancada da Casa agora, com exceção dos blocos partidários, é o PT, com 60 integrantes. O partido teve uma alteração mínima no seu quadro, já que perdeu dois integrantes, mas filiou um novo parlamentar: Celso Pansera, que antes era do PMDB e estava sem partido.

Sem gaúchos – No indecente troca-troca verificado no Congresso, felizmente, não há nenhum deputado federal do Rio Grande do Sul. Todos os que foram eleitos em 2014 se mantiveram fiéis aos seus partidos. Já na Assembleia Legislativa gaúcha, há três vira-casacas. O Bombeiro Bianchini deixou o PPL e migrou para o PR, enquanto João Reinelli migrou do PV para o PSD. Além deles, o suplente Marcel Van Hatten deixou o PP para aderir ao Partido Novo.

Fuga frustrada – Até há alguns meses, havia especulações de que a “janela” seria válida também para vereadores dispostos a trocar de legenda. Contudo, a Justiça Eleitoral esclareceu que isso só ocorrerá quando houver eleições municipais, em 2020. Assim, pelo menos quatro dos dez legisladores montenegrinos viram seus inconfessáveis desejos de “fuga” frustrados por enquanto.

Andando para trás – A possibilidade de um deputado ou vereador trocar de partido ao longo do mandato é um dos fatores que enfraquece a democracia. Via de regra, os políticos não aderem a uma legenda porque se identificam com sua linha ideológica ou planos de ação, mas pela facilidade ou não de conquistar um mandato. Já evoluímos no momento em que o Judiciário decidiu que os mandatos pertencem aos partidos e que a evasão poderia determinar a cassação. Contudo, a instituição da “janela” dribla essa regra saneadora e dá um passo para trás justamente no momento em que a política nacional passava por uma saudável depuração.

Rapidinhas
* É notável o esforço do Departamento de Trânsito na revitalização da pintura de faixas de segurança e canteiros. No entanto, muitos quebra-molas seguem invisíveis aos olhos dos motoristas. Merecem tratamento prioritário.
* O desabamento de um prédio em São Paulo, esta semana, revelou algo que deixou muita gente perplexa. Lideranças do Movimento de Luta pela Moradia cobravam até R$ 400,00 de aluguel dos ocupantes de imóveis INVADIDOS. Não é uma taxa de luz ou água. É ALUGUEL!
* A morte de mais um policial no cumprimento de seu dever, nesta quarta-feira, mostra o quanto a bandidagem assombra a população. Até as comunidades menores são sacudidas por tiroteios e explosões, graças ao sucateamento da segurança pública permitido pelos últimos governos.
* O sucateamento dos Correios, que há muito tempo vem sendo denunciado por seus funcionários, produz outro efeito danoso. A demora na entrega dos documentos obtidos a partir da quitação do IPVA sujeita milhares de motoristas serem autuados nas blitze de fiscalização.

Postos fechados
Que o governo Kadu tenha eleito o bom relacionamento com os servidores públicos municipais uma prioridade, ainda que isso implique em cortar serviços à população, todo mundo já percebeu. No entanto, algumas práticas deveriam ser revistas, como o fechamento das unidades básicas de saúde na última segunda-feira. Deixar a população sem atendimento nos postos por quatro dias (sábado, domingo, segunda e terça) aumentou a pressão sobre o plantão do Hospital Montenegro e fez muita gente perder várias horas na fila por atendimento.

De novo – Como no mês de maio existe mais um feriadão possível – dia 31 é feriado de Corpus Christi e cai numa quinta-feira – seria saudável começar, desde já, a pensar nos prós e nos contras de novo fechamento na sexta, dia 1º de junho. A população certamente gostaria de poder contar com os serviços.

Só continuidade
Alguns servidores do Município estranharam o conteúdo da entrevista publicada pelo Jornal Ibiá na terça-feira, com o novo secretário municipal de Meio Ambiente. Acharam estranho que Adriano das Chagas tenha se comprometido com o encaminhamento de soluções para demandas como capina e varrição de ruas, compra de equipamentos e materiais e melhorias na coleta do lixo. É que praticamente todos estes processos já estão em andamento por força e obra do ex-secretário Rafael de Almeida.

Despachantes
Acostumados a “mostrar serviço” empilhando pedidos de providências na frente do prefeito, alguns vereadores criticaram matéria publicada pelo Ibiá esta semana, apontando que a comunidade não precisa de suas excelências para reivindicar melhorias junto ao poder público. Cada cidadão pode – e deve – lutar por aquilo em que acredita, especialmente quando se trata da contrapartida aos impostos que paga. A maioria dos componentes do Legislativo faz esta intermediação para ser lembrado na eleição seguinte, quando deveria estar debruçada sobre a criação e análise de leis que beneficiam a todos e não apenas a alguns.

Linha direta – O poder simbólico exercido pelos vereadores, em muito, deve-se ao próprio Executivo, que deveria desenvolver – e divulgar – mecanismos eficientes de comunicação com a sociedade. Os contribuintes, pelo menos a maioria deles, não sabem a quem recorrer na hora de pedir uma troca de lâmpada, o fechamento de um buraco ou um reparo na rede de esgoto. São informações que, estando ao alcance de todos, tornariam a cidade muito melhor.

120 anos depois
Neste sábado, dia 5, o padre Inácio Spohr lança um interessante livro, abordando os primórdios da Igreja Católica na cidade. Os relatos dizem respeito ao período entre 1871 e 1895, época em que a coordenação dos trabalhos coube aos jesuítas. A obra fala em escolas precárias, falta de médicos, estradas mal conservadas e enchentes. Curioso que, mais de 120 anos depois, para muitos montenegrinos, estes continuam a ser problemas bem comuns em seu dia a dia.

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