A maldição da eficiência
A falta de efetivo da Brigada Militar contrasta com o excelente desempenho da corporação no Vale do Caí. Ao contrário do que seria lícito imaginar, os baixos salários – e ainda pagos em parcelas a perder de vista pelo governo do Estado -, somados à falta de infraestrutura, não abalam a moral dos brigadianos. E isso aparece nos números. Até aqui, aumentou em 19% a quantidade de prisões por tráfico de drogas na região. É a “maldição da eficiência”. O secretário de Segurança Pública, César Schirmer, deve olhar para estes dados e imaginar que, por aqui, anda tudo às mil maravilhas. Só que não.

Audiência – Segunda, às 19h, haverá audiência pública sobre o assunto na Câmara de Vereadores. Toda a comunidade é convidada a botar a boca no trombone.

Embora não seja um prato típico da culinária alemã, o sagu é muito apreciado entre os descendentes dos imigrantes que aqui chegaram a partir de 1824. Normalmente cozido com vinho ou algum suco de frutas, está em nove de cada dez casas como sobremesa de domingo, parceiro inseparável de um creme de leite, de pudins e tortas de variados sabores. E quem se delicia com ele sabe que a sua textura é maleável. No pires, ocupa os espaços vagos, preenchendo os vazios e se reagrupando cada vez que uma colherada leva um pouco das bolinhas brancas à boca de seu apreciador. Essa condição o torna a metáfora perfeita para o PMDB. Isso mesmo: o sagu pode ser comparado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Assim como a sobremesa produzida a partir da fécula da mandioca, o partido é um companheiro inseparável de outras legendas, devolvendo apoio em troca de espaços. Foi assim em todos os governos federais de Sarney a Dilma, na maioria das gestões estaduais em que não é protagonista e deve ocorrer também em Montenegro em breve.

Espaço – Esta semana, o diretório peemedebista de Montenegro se reuniu e aprovou, por 18 votos a seis, a participação da legenda no governo Kadu. A partir de agora, a direção vai conversar com o prefeito para estabelecer as bases dessa parceria, o espaço que o “sagu” vai ocupar no pratinho. O resultado da votação, porém, deixou claro que houve uma fratura interna.

Voz contrária – Vereador mais votado da legenda nas eleições de 2016 e integrante da coordenadoria regional do partido, Cristiano Braatz foi contra a adesão do PMDB ao governo Kadu. Os motivos são vários. Inicialmente, ele lembra que é uma continuidade da gestão Luiz Américo Aldana, contra a qual o PMDB lutou na busca por votos. Ademais, não está convencido de que Kadu, vice na época e secretário antes disso, realmente não sabia das irregularidades apuradas pela Operação Ibiaçá e que levaram à cassação de Aldana. E, finalmente, Cristiano entende que não seria necessário ingressar na Administração para apoiar aqueles projetos que trarão ganhos à comunidade.

Saída – Os argumentos apresentados por Cristiano são os mesmos que seu pai, Roberto Braatz, vem usando. Ele não esteve na reunião desta semana, mas já havia se manifestado publicamente contra a adesão do PMDB à Administração. Existem apostas, inclusive, de que Braatz Pai vai deixar a legenda, para a qual voltou em 2016, depois de muitos anos no PDT, justamente para concorrer a prefeito.

História – O posicionamento dos Braatz é compartilhado por outras figuras históricas do PMDB, como o desportista Pedro Evaldo Martins, o “Pedrinho do Renner”, e pela ex-presidente Eni Viegas Colling. Embora sejam poucos entre os que votaram nesta semana, sua importância na história do PMDB e experiência no cenário político local não são desprezíveis.

Porta – O vereador Cristiano Braatz já deixou claro que a adesão do partido à Administração não mudará sua postura na Câmara. Vai continuar cobrando ações e criticando a omissão do poder público sempre que achar necessário. “Se isso criar constrangimentos, posso usar a mesma porta pela qual entrei no PMDB para sair dele”, avisa. “Meu compromisso é com a população.”

Alvos prioritários – A coligação que venceu as eleições de 2016 – e que tinha Kadu Müller como vice – é formada pelo PSB, Solidariedade e PRB. Sua representação na Câmara é de apenas três vereadores e a única forma de garantir a aprovação de projetos polêmicos no futuro e até mesmo de se blindar contra novos processos de Impeachment, é compartilhar o poder com outros partidos. Restam PMDB e PTB, com duas cadeiras cada, PP, PR e PDT com uma. Obviamente que PMDB e PTB eram os alvos preferenciais. Mas se for para conquistar um voto só…

Análise de perfil – De acordo com o chefe de gabinete do prefeito, Edar Borges Machado, uma reunião com a direção do PMDB deve ocorrer nos próximos dias para definir como se dará o enlace. Ele deixa claro, porém, que os cargos só serão ocupados por pessoas realmente capacitadas e comprometidas com os propósitos da Administração. O apoio na Câmara é uma consequência natural.

Há vagas – No primeiro escalão, existem dois cargos vagos: os de secretário de Gestão e Planejamento e de Viação e Serviços Urbanos. O primeiro é acumulado pelo secretário de Administração, Rafael Riffel; e o segundo pelo chefe de gabinete. Será que o PMDB tem bons nomes para estas importantes funções? O sagu já está na panela.

Arquivamento
Deve dar em nada a autuação da Granja Kranz, em Alfama, por crimes ambientais, realizada em junho de 2015 pela fiscalização da Prefeitura. O empreendimento pertence a um filho do ex-vereador Renato Kranz, principal crítico do então prefeito Luiz Américo Aldana. Na época, foi aplicada multa de R$ 60 mil porque, supostamente, o empreendimento não fazia a destinação adequada dos resíduos e porque parte dos galpões teria sido erguida em Área de Proteção Ambiental (APP). O processo acabou parando na Justiça, onde a própria Administração está propondo o arquivamento. A decisão deve sair em breve.

Inconsistências – Desde o princípio, Renato disse que estava sofrendo perseguição por causa da oposição que fazia ao governo Aldana e que não havia nenhuma irregularidade que justificasse a autuação pela Prefeitura. Dois anos e meio depois, se o próprio governo está pedindo o fim da ação, por inconsistências no processo, parece que ele estava certo.

Reparação – O ex-vereador afirma que o empreendimento foi muito prejudicado na época e que vai buscar a reparação pelos danos morais e materiais que teria sofrido. “Isso não vai ficar assim”, garante.

Ausentes
Não existe apenas uma causa para a baixa participação dos membros nas reuniões de alguns conselhos municipais. Vão da falta de interesse dos membros ao desrespeito da Administração Municipal. Se um grupo de pessoas se une para tomar uma decisão em nome da comunidade, é justo esperar que o prefeito e seus assessores a levem em conta. Infelizmente, isso nem sempre ocorre, provocando frustrações e desistências.

Pagamento – Como alguns conselhos são deliberativos e a Administração Municipal só pode agir com o seu aval, a falta de quórum acaba se tornando um problema de governo. Há quem defenda, como remédio, o pagamento de jetons (gratificações) pela participação nas reuniões. Estaria liquidada, porém, a dimensão social e comunitária dessas entidades.

Rapidinhas
* A explosão que ocorreu no Polo Petroquímico, nesta segunda-feira, deve ser motivo de preocupação para todos os montenegrinos. A segurança das instalações é um bom tema para audiência pública na Câmara. Algum vereador se habilita?

* Que maravilha. Pelo menos 150 empresas resolveram adotar uma árvore, cada uma, e enfeitá-la para dar à cidade um espírito natalino. Em Taquari, onde parceria entre poder público e iniciativa privada não é “prosopopéia flácida para bovinos (de presépio) ressonarem”.

* Mais um skatista se feriu na pista existente no Parque Centenário. Não por causa do radicalismo das manobras mas pela falta de manutenção.

* Deve ser tranquila como água de poço a eleição da nova mesa diretora da Câmara, marcada para a sessão desta noite. Dificilmente aparecerá um segundo candidato e a escolha de Erico Velten (PDT) já é dada como certa.

* Prefeito Kadu está em Brasília esta semana e, diferente da última vez, não chamou o presidente da Câmara, Neri Pena, o Cabelo (PTB), para assumir.

Compartilhar

Deixe seu comentário