Criadas com o objetivo de democratizar o ambiente escolar e estimular a cidadania, as eleições dos diretores continuam sendo uma miragem em Montenegro. Na virada do ano, a Administração Kadu vai fazer o mesmo que seus antecessores: nomear pessoas de sua inteira confiança para dirigir pelo menos oito instituições de ensino da rede pública municipal. A justificativa é a de que alguns dirigentes querem deixar a função, mas é lógico que o governo vai aproveitar a oportunidade para escolher a dedo, entre os mestres, substitutos mais “sintonizados” com o Executivo e suas diretrizes. De acordo com o chefe de gabinete do prefeito, Edar Borges Machado, Kadu até gostaria de promover uma eleição ampla, geral e irrestrita, mas existe oposição, inclusive, dentro de algumas escolas. “Vamos continuar esta discussão e trabalhar para que o pleito ocorra no próximo ano”, garante o “comandante”.

Resistências – Segundo Borges, a “resistência” às eleições, em muitas escolas, vêm da constatação de que a disputa abre feridas no corpo docente que demoram a cicatrizar. As chapas derrotadas, em geral, assumem uma postura de oposição aos eleitos e acabam minando seu trabalho, comprometendo a harmonia nos educandários. A alegação do chefe de gabinete é válida, mas será que os diretores impostos a fórceps pelo governo não enfrentam também a resistência daqueles que desejam participar da escolha?

Prerrogativa – As eleições foram implantadas na gestão Percival, por meio de uma lei aprovada pela Câmara, e chegaram a ocorrer em, pelo menos, duas oportunidades. Depois, o Ministério Público arguiu a inconstitucionalidade da lei, sob a alegação de que os cargos de diretor, por serem de confiança, eram de escolha privativa do prefeito. Contudo, o MP não impediu a Administração de realizar consultas e deixar que a comunidade tomasse a decisão, que seria acatada pelo Executivo numa demonstração de respeito à vontade dos professores, funcionários, pais e alunos.

Interpretações – Obviamente que as administrações preferiram intepretar a decisão a seu modo e começaram a promover simples reuniões de CPM para consultar as comunidades escolares. Um formato meio capenga, em que nem todos se sentem à vontade para opinar, já que não há voto secreto. O ex-prefeito Paulo Azeredo até chegou a propor uma espécie de regramento diferenciado, semelhante a uma eleição, mas com critérios e normas que reduziam a disputa para facilitar a escolha dos candidatos alinhados ao governo.

Relações políticas – Depois, o prefeito Luiz Américo Aldana, que sempre se disse um democrata, também exonerou e nomeou diretores por conta de suas relações – boas ou ruins – com o governo. Alegava, porém, que as eleições retornariam quando estivesse concluído um processo mais amplo de democratização do ensino, que não chegou a ser concluído. Muitos mestres esperavam que seria diferente na gestão Kadu. Estão decepcionados.

Despreparo – O argumento de que a eleição dos diretores pode ser nocivo ao ambiente escolar, pelas disputas que desencadeia e pelas fraturas que provoca, talvez esconda o despreparo de certos professores para lidar com a Democracia. A formação de cidadãos conscientes também depende desse exercício enquanto são crianças e adolescentes. Ganhar ou perder são condições que acompanham as pessoas pela vida toda e seria natural que os mestres estivessem preparados para lidar com isso. Se em algumas escolas é difícil, o problema certamente não é a eleição.

Rapidinhas
* Vai ficar para o ano que vem a negociação sobre o ingresso do PMDB no governo Kadu. Agora, a preocupação da Administração é fechar as contas e pagar os servidores. A segunda parcela do 13º sai amanhã.
* Pelas responsabilidades e pelas urgências do segmento, o Departamento de Trânsito da Prefeitura precisa aprender a se comunicar melhor. Exigir que a imprensa espere até dois dias por respostas envolvendo situações do cotidiano do setor pode denunciar despreparo ou má vontade.
* O vereador Talis Ferreira (PR) divulgou em seu Facebook que foi vítima de uma fraude. Alguém criou um perfil falso na rede social Twitter e passou a divulgar, como se fossem dele, mensagens pouco edificantes, capazes de ruborizar até as mais experientes “damas da noite”.
* Apesar do esforço dos organizadores – digno de aplausos – teve poucos resultados a audiência pública sobre Segurança, promovida pela Câmara esta semana. Como já se esperava, não havia um único representante do governo Sartori no evento para ouvir as necessidades do Vale do Caí.

Sem explicações
O ex-prefeito Luiz Américo Aldana, afastado do cargo por decisão judicial e posteriormente cassado pela Câmara, segue convicto de que retornará ao Palácio Rio Branco em breve. Foi o que disse em entrevista conjunta à Rádio América e ao jornal Fato Novo, divulgada no último sábado. Infelizmente, no texto, não há sequer uma explicação a respeito dos grampos em que seus assessores mais próximos foram flagrados combinando fraudes em licitações. Nem mesmo aos diálogos suspeitos entre o próprio chefe do Executivo e um empreiteiro acostumado a prestar serviços ao Município. Os eleitores esperam por isso.

Busca de investimentos
Com o apoio dos consultores Carlos Friederich e Roque Ávila, o vereador Joel Kerber (PP) trouxe a Montenegro, esta semana, o chefe do consulado do Canadá na região Sul, Paulo Barnewitz Orlandi. Além de visitar o distrito industrial (foto), ele também se encontrou com o prefeito Kadu Müller, quando conversaram sobre futuras parcerias envolvendo a cidade, investidores e governo canadense.

Esforço – Joel tem intermediado visitas de lideranças locais a representações diplomáticas de países que possam vir a investir na cidade. Além do Canadá, Itália, Suíça e Alemanha também foram alvo de iniciativas semelhantes. E embora algumas pessoas duvidem do resultado deste esforço, é bom lembrar que esperar sentado, de braços cruzados, é que não vai trazer novas empresas para Montenegro. Se alguém tiver uma ideia melhor, que a apresente.

Crédito e débito
A Câmara vota hoje um projeto de lei do vereador Cristiano Braatz (PMDB) que autoriza o Executivo a receber impostos, taxas, contribuição de melhoria e pagamentos de dívida ativa através de cartão de crédito ou cartão de débito. Trata-se de uma modernização importante na forma de arrecadação, hoje restrita ao pagamento de boletos bancários. Pelo texto, no crédito, os valores poderão ser pagos em até 12 vezes, com os acréscimos que a legislação tributária prevê.

Inadimplência – De acordo com o autor, o projeto visa garantir e facilitar o recebimento de tributos, uma vez que o pagamento através do cartão de crédito, além de ser rápido e seguro, possibilita ainda o parcelamento, o que tende a reduzir a inadimplência. Analisado pelos vereadores na Comissão Geral de Pareceres (CGP), terça-feira, o texto foi aprovado, o que deve se repetir em plenário na sessão desta noite.

“Tá podendo”
No primeiro domingo em que ficou fechado para os carros, o Cais do Porto atraiu grande público. Méritos do vereador Felipe Kinn da Silva (PMDB), que insistiu na ideia junto à Prefeitura. Se o seu partido entrar mesmo no governo, novas conquistas virão.

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