Desde o ano passado, quando a operação Ibiaçá passou como um furacão pela política montenegrina, os serviços de transporte escolar estão sob suspeita. Inclusive, o ex-prefeito Aldana, assessores e empresários do segmento são alvo de uma ação civil pública por improbidade administrativa na Justiça. O Ministério Público apontou fraudes nas contratações de 2016 e 2017 e pede a devolução de quase R$ 2 milhões aos cofres públicos, por conta de um esquema de direcionamento e sobrepreço que lesou o erário. Era justo imaginar que, em novas licitações nesta área, a Administração Municipal se cercaria de todos os cuidados para não reincidir no erro. Ou, pelo menos, que agiria com a máxima transparência para não deixar dúvidas de que as irregularidades que macularam a nossa história são uma página virada. Infelizmente, não foi isso que ocorreu, para tristeza daqueles que desejam seriedade na política.

Adiamento – Na última sexta-feira, depois que a notícia se espalhou a partir das escolas municipais, o governo Kadu anunciou o adiamento do início do ano letivo de 21 para 26 de fevereiro. A versão oficial era de que estava ocorrendo um “alinhamento no calendário escolar”. Contudo, alguns professores já haviam comunicado aos pais que o problema estava na licitação do transporte escolar, pois se a data original fosse mantida, as crianças não teriam como chegar até as escolas. Apesar disso, a informação foi frontalmente desmentida.

Pernas curtas – Assim como a mentira, a sonegação de informações também tem pernas curtas. Segunda-feira, a Administração Municipal publicou dois editais na imprensa. O primeiro tratou da “anulação do comunicado cujo objeto é o Transporte Escolar”. O segundo, um novo “comunicado”, para “contratação emergencial de empresas para prestação do serviço de Transporte Escolar”. Logo, não restaram dúvidas de que havia algo de errado no processo.

Evasivas – Ainda na segunda-feira, diante dos editais, a reportagem do Ibiá voltou a buscar informações sobre o que estava ocorrendo. A resposta do governo, repassada via assessoria de comunicação, foi evasiva: “ocorre que, no primeiro Comunicado, houve divergências de informações no edital, que poderiam comprometer o processo como um todo. Por medida cautelar, procedeu-se a anulação do mesmo”. Diante da insistência por maiores esclarecimentos, o governo Kadu prometeu se manifestar novamente na quinta-feira, ou seja, hoje.

Na espera – Dificilmente haverá uma justificativa razoável para tamanha “enrolação”. Por que não explicar exatamente o que está acontecendo para afastar qualquer suspeita? Será que houve um erro de algum funcionário graduado, que precisa ser protegido? Se há meses havia sido definida a abertura do ano letivo para 21 de fevereiro, por que a licitação só foi aberta uma semana antes? Enquanto a sociedade não tiver estas respostas, ficará com a impressão de que houve má-fé ou incompetência no processo. Ou ambos.

Rapidinhas
* É visível o esforço que as equipes da secretaria de Meio Ambiente estão fazendo para deixar as ruas mais limpas. Infelizmente, não basta. É preciso investir mais em fiscalização e multar os porcalhões.
* Uma cidade mais limpa depende, em muito, dos serviços públicos, mas a comunidade também precisa colaborar. Jogar animais mortos em lixeiras, na esperança de que serão levados para o aterro sanitário, é crime ambiental e revela muito sobre a personalidade e o caráter dos “cuidadores”.
* A reativação das lombadas eletrônicas na RSC-287, na altura do bairro Santo Antônio, é a promessa de uma travessia mais tranquila para milhares de pessoas todos os dias. Os apressadinhos que reduzam a velocidade. A partir de agora, os abusos vão doer no bolso. E muito!
* A desculpa de que a crise impede a Prefeitura de colocar o parque de máquinas em dia não cola mais depois da concessão de aumento real aos servidores. E quanto à falta de peças necessárias aos serviços de iluminação pública, o problema é a incompetência de quem deixa zerar os estoques.

Churrasco queimado
No final do ano passado, numa votação prá lá de polêmica, o PMDB de Montenegro decidiu ingressar no governo Kadu. Por 18 votos a seis, autorizou o presidente Adair da Silva, o “Dadá”, a abrir um diálogo para a ocupação de cargos na Administração Municipal. Em troca, obviamente, a legenda deveria se comprometer a apoiar o prefeito nas votações mais polêmicas na Câmara, onde possui dois votos. Contudo, o “churrasco” ficou comprometido quando o vereador Cristiano Braatz anunciou, a plenos pulmões, que não mudaria sua postura independente. Difícil amaciar carne de pescoço.

Colete – Agora, o espeto caiu na churrasqueira. Esta semana, Dadá anunciou que o PMDB não participará mais da Administração Kadu e que está focado 100% nas eleições de outubro. Enquanto a carne queima diretamente sobre a brasa, pelo menos uma pessoa conseguiu salvar uma garfada. Uma irmã do também vereador peemedebista Felipe Kinn da Silva foi nomeada para ocupar um cargo no governo.

Substituição – Giseli Kinn da Silva assumiu a função de chefe de serviço do Almoxarifado Central, um cargo em comissão 8, salário aproximado de R$ 4 mil. Segundo o boletim de pessoal da Prefeitura, ela exercerá as funções de 15 de fevereiro a 16 de março, durante as férias do titular.

Nepotismo – Afora as acusações de nepotismo cruzado, quando alguém do Legislativo consegue empregar um parente no Executivo ou vice-versa, a prática de substituir funcionários de carreira por CCs nas férias já foi questionada pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Ministério Público na gestão do ex-prefeito Paulo Azeredo. É caro e contraproducente.

No açougue – A nomeação, ainda que por um período curto, levanta a suspeita de que o prefeito está negociando diretamente com os vereadores, driblando o PMDB. Como se diz na região da campanha, para comer churrasco, não precisa criar uma vaca. A carne é vendida por quilo, nos açougues.

Desocupação
Faz bem a Administração Municipal ao promover a desocupação de uma área verde invadida por quatro famílias, no bairro Aeroclube, esta semana. É compreensível que muitas pessoas não tenham condições de pagar aluguel, mas se tolerar esta prática, a Prefeitura dará sinal verde para a sua multiplicação, agravando ainda mais os problemas sociais que a cidade já tem. Por outro lado, isso não exime o Município de buscar alternativas para ajudar estas pessoas.

Sem dinheiro – Nos últimos quatro anos, a Administração Municipal não conseguiu a implantação de novos conjuntos habitacionais para famílias de baixa renda. Agora, praticamente não há verbas para investimentos nesta área e, quando havia, o Município não tinha bons projetos para captá-las.

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