Não é na Câmara que está a principal voz da oposição ao prefeito Carlos Eduardo Müller. Ela mora no facebook e nas entrevistas que ainda concede graças ao crédito que acumulou em 30 anos de protagonismo na política local. Chama-se Roberto Braatz, que concorreu ao Executivo no ano passado, mas perdeu. Desde então, ele assumiu uma postura de crítica severa contra os vencedores, primeiro Aldana e agora Kadu. E as duas administrações, até aqui, estão lhe dando farta munição para o combate. Primeiro, a Operação Ibiaçá e suas denúncias de corrupção na Prefeitura, que resultaram no afastamento e posterior cassação do prefeito. Agora, a dificuldade do governo em atender a população até em questões simples, como a limpeza das ruas e a manutenção das estradas. Braatz-pai faz, sem tribuna, muito mais estragos no governo do que o filho Cristiano, herdeiro de seu mandato na Câmara.

Cinco anos – Semana passada, o ex-vereador usou as redes sociais para bater firme na Administração. A metralhadora é giratória, mas o prefeito é, sempre, o principal alvo. E o tom é pessoal. “…Kadu disse e alguns secretários repetem como papagaios, que está há só 180 dias no poder. Só? É muita cara de pau”, disparou numa postagem feita em sua página no Facebook. Braatz lembra que o atual prefeito está na Administração desde 2013, primeiro como secretário de Indústria e Comércio; depois de Administração e finalmente como vice-prefeito. São, na prática, cinco anos inteiros de experiência.

Veteranos – Roberto observa, com propriedade, que vários secretários municipais também já estavam no governo há anos, nas gestões Aldana e Percival. Além disso, a equipe do primeiro escalão conta ainda com dois ex-prefeitos: Rafael Riffel, de Pareci Novo, e Nestor Bernardes, de Capela de Santana. “Não há nenhum novato inexperiente”, ataca.

Munição – A distância entre o discurso de crise do prefeito e suas práticas na Administração também viraram munição nas mãos do ex-vereador. Ele não aceita que Kadu tenha dado um aumento real ao funcionalismo quando as máquinas da Prefeitura estão paradas e a Administração recebe até vassouras e enxadas como doação porque não tem os equipamentos necessários para a limpeza urbana. Nesse ataque, sobraram tiros até para a Câmara de Vereadores pela aprovação do projeto. Uma bala perdida acertou o filho Cristiano, que também deu seu “sim” ao reajuste.

Sem disfarçar a indignação com o Legislativo, Braatz faz um questionamento intrigante aos vereadores: afinal, em que mundo eles vivem?

Porta-voz – Na Administração Municipal, pessoas próximas ao prefeito Kadu veem Braatz como um ressentido, uma pessoa que não conseguiu assimilar a derrota sofrida nas urnas em 2016. Ainda qua seja o combustível de suas críticas, a verdade é que o governo tem deixado a desejar e o ex-vereador acaba sendo a voz daqueles que não têm a mesma aptidão, mas estão igualmente revoltados.

Candidato – Também não falta quem aposte que Roberto está apenas em busca de holofotes para se manter vivo na memória dos eleitores até 2020, quando ocorre a próxima eleição a prefeito. Talvez, mas a Administração pode reverter as críticas com certa rapidez, tornando-se um pouco mais eficiente.

Rapidinhas
* Hoje, às 19h, o pré-candidato a governador pelo PT, Miguel Rossetto, estará na cidade. Ele fala para a militância no Sindicato dos Metalúrgicos. Em pauta, a negociação da dívida gaúcha e as injustiças tributárias.
* A Administração formalizou os contratos com os novos responsáveis pelo transporte escolar. Curioso é que, em alguns itinerários, o valor do quilômetro rodado ficou mais caro do que quando o serviço era prestado pela JLV, situação que levou prefeito e empresário ao banco dos réus.
* Uma das prováveis justificativas deve ser o aumento no preço dos combustíveis. Em 2016, os valores foram considerados superfaturados, mas hoje a realidade pode ser outra. O problema é que o governo não tem falado abertamente sobre o assunto e, assim, planta dúvidas no contribuinte.
* O grande número de celulares apreendidos na Modulada (média de 16 por mês) é mais um sintoma da falência do sistema carcerário gaúcho. Se os aparelhos entram facilmente, imaginem as drogas e outros objetos menores. Não é à toa que as cadeias viraram barris de pólvora.

Perseguição
Quando troca um governo, é comum o novo prefeito se cercar de pessoas de sua abosluta confiança, afastando aquelas que serviram a seu antecessor. O problema é que alguns avançam o sinal e até atropelam a lei. O de Pareci Novo, Oregino José Francisco, removeu de seu posto, na biblioteca de uma escola, a ex-secretária municipal de Educação e atual vereadora do PTB, Adriane Colling Kinzel. Ocorre que a Lei Orgânica da cidade estabelece que o servidor público, no exercício do mandato, é inamovível. Ou seja, não pode ser trocado de setor. Adriane só teve seu direito garantido ao recorrer à Justiça.

Estabilidade – É provável que situações assim ocorram em muitas cidades, quando os governantes têm dificuldade de conviver com o contraditório e ignoram as leis. É por essas e outras que o servidor público tem estabilidade. De um lado, para alguns, funciona como um estímulo à acomodação, mas, no cenário político atual, é uma proteção necessária.

Espiã – Em Montenegro ocorreu situação semelhante em 2009, com a vereadora Rose Almeida, do PP na época. Funcionária concursada, ela foi transferida da Procuradoria Geral do Município para a secretaria de Educação e Cultura. O ex-prefeito Percival, do PMDB, achava que ela era uma “espiã” da oposição. Na época, PMDB e PP estavam coligados.

Partidos inadimplentes
O senador Lasier Martins (PSD-RS) apresentou projeto que obriga os partidos políticos a quitarem dívidas com a Previdência ou com a Fazenda Nacional, sob o risco de não poderem acessar recursos dos fundos partidários e eleitorais. O texto pune legendas com débitos em aberto ou parcelamentos em atraso por mais de 90 dias. E os que tiverem prestação anual de contas rejeitada correm ainda o risco de serem excluídos das eleições subsequentes.

Campeão – O PT, que concentra 63% dos débitos das legendas com o Instituto Nacional do Seguro Social (R$ 8,1 milhões de uma soma de R$ 13 milhões) é o mais severamente afetado pela proposta. Opositora radical da reforma da Previdência, a sigla lidera a lista de devedores. Só o diretório gaúcho está pendurado em R$ 7,1 milhões ao INSS.

Em atividade
A secretaria municipal de Viação e Serviços Urbanos informa que ontem voltaram ao trabalho dois caminhões, uma retroescavadeira, uma miniescavadeira e uma patrola da Diretoria de Estradas; uma patrola e uma retroescavadeira da Agricultura; a Kombi do departamento de Serviços Urbanos; e um caminhão da Secretaria do Meio Ambiente. E hoje devem retornar às ruas mais uma patrola da Diretoria de Estradas e um caminhão.

Correndo atrás – De acordo com o assessor especial Bruno Zietlow, a recuperação do parque de máquinas vai permitir a retomada de diversos serviços, entre eles, a manutenção das estradas do interior. Ontem, as equipes estavam nas localidades de Sobrado e Sanga Funda. Tomara que o clima colabore e seja possível recuperar o tempo perdido até aqui por falta de equipamentos para trabalhar.

Compartilhar

Deixe seu comentário