Se quiser realmente contrair um empréstimo com o Banco do Brasil para comprar computadores, máquinas e outros equipamentos para a manutenção de ruas e estradas, o prefeito Kadu terá de se articular melhor. O projeto estava na pauta da Câmara na sessão desta quinta-feira, mas acabou sendo retirado por decisão do presidente Erico Velten (PDT). Ele não é o único opositor ao financiamento de R$ 3,2 milhões. Neri Pena, o Cabelo (PTB), Cristiano Braatz e Felipe Kinn da Silva, ambos do MDB, completam o time. Se a votação ocorresse, teriam perdido por quatro votos a seis, mas é impossível garantir que, até esta quinta-feira, quando a matéria deverá retornar ao plenário, mais ninguém mude de lado. Até porque os argumentos contrários à matéria não podem ser desprezados.

Momento ruim – Considerado pela maioria dos colegas um sujeito moderado e de bom senso, foi Cabelo quem primeiro acendeu “as lamparinas do juízo”. Da tribuna, ele lembrou que tempos de crise não são bons momentos para contrair dívidas, ainda mais quando existem outras alternativas. O vereador lembrou que, até o final do ano, a Câmara deverá devolver até R$ 1,6 milhão de seu próprio orçamento à Prefeitura, recursos que poderiam ser destinados à aquisição de equipamentos. “Para não endividar o Município, talvez se possa comprar só uma parte”, defendeu.

Só um pouquinho – O vereador do PTB também destacou que, no ano que vem, o Município deverá ter um aumento nos repasses do ICMS, com um incremento de quase R$ 7 milhões nas receitas. “Então que se espere um pouco e se compre a vista”, propôs. De qualquer forma, segundo Cabelo, o tempo necessário à formalização do empréstimo e ao processo de licitação levaria até quatro meses. “Os equipamentos igual só chegariam no fim do ano. Então acho que dá para esperar um pouquinho mais”, ressaltou.

Plano de carreira – Os emedebistas Cristiano Braatz e Felipe Kinn da Silva seguiram a mesma lógica em seus discursos. Braatz, porém, acrescentou uma pitada de pimenta ao cozido, ao lembrar que talvez o empréstimo fosse desnecessário se o governo providenciasse, de uma vez por todas, os ajustes prometidos desde o ano passado no plano de carreira do funcionalismo. As modificações implantadas em 2005, quando o prefeito Kadu Müller era secretário de Administração, provocaram uma despesa extra mensal de R$ 2 milhões com a folha de pagamento.

Direitos – Provavelmente os vereadores estejam superestimando os efeitos dos “ajustes”, já que os ganhos adquiridos pelo funcionalismo são intocáveis. Porém, a lei pode ser alterada para que as distorções cessem. A promessa era de que a matéria seria enviada à Câmara em fevereiro. Até agora, nada. É impossível dizer quanto, nesses quatro meses, a Prefeitura teria deixado de gastar.

Espera – Os seis vereadores que queriam a votação na quinta-feira passada e são favoráveis ao empréstimo também possuem um bom argumento. O parque de máquinas da Prefeitura está sucateado e, por isso, a Administração não consegue atender a comunidade como ela merece. Esperar para fazer a compra no ano que vem seria prolongar o sofrimento.

Mau uso – Entre os contrários à aquisição, também há uma forte cobrança sobre o mau uso dos equipamentos. Eles lembram que muitas máquinas, adquiridas nos últimos anos, estão sucateadas por causa do desleixo e que os culpados precisam ser responsabilizados. Talvez não estejam cuidando justamente porque é mais simples comprar outros. Coisa de Município rico. SQN.

Colisão – A decisão de retirar o projeto da pauta colocou o presidente novamente em rota de colisão com a maioria dos colegas. Embora o regimento interno garanta a ele o direito de tomar a decisão sozinho, atendendo a um pedido do vereador Talis Ferreira (PR), Erico Velten concordou em consultar o grupo. A portas fechadas, propôs uma votação, que terminou em seis votos favoráveis à votação imediata contra quatro. Mesmo assim, adiou a decisão.

Palhaços – Extremamente irritado, Talis disse que o presidente fez a todos de bobos. E Joel Kerber (Progressistas) o acusou de não ter “palavra”. Pegou muito mal para Velten, que segue agindo de forma “imperial” e ignorando todas as regras de respeito e de boa convivência.

CPI – Talis também contrapôs aqueles que reclamam dos efeitos da implantação do novo plano de carreira dos servidores. Desafiou os colegas, inclusive, a proporem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar responsabilidades. Segundo ele, tem muita gente “jogando para a torcida”.

Incoerência – Na Administração Municipal, a resistência ao financiamento causou uma certa irritação. E não é difícil entender os motivos. Entre os vereadores contrários estão alguns dos principais críticos ao governo Kadu, curiosamente responsáveis por inúmeros pedidos de providências que justamente a falta de equipamentos impede o prefeito de atender. Por uma questão de coerência, deveriam então reduzir a pressão. Mas isso não vai ocorrer.

Comida de cachorra
Fazer um discurso enfático é diferente de gritar e de agredir os colegas. Uma lição que Cristiano Braatz (MDB) ainda precisa aprender. Na sessão de quinta, em sua passagem pela tribuna, ele usou dez vezes a palavra “porcaria” para se referir a um cargo de assessor especial do Legislativo que deseja extinguir. E ainda disse que aqueles que têm posicionamento diferente do seu não valem a comida que dá para sua cadela. Para um vereador que se apresenta como defensor dos animais, ficou estranho. O que será que ela anda comendo?

Civilidade política
O ex-prefeito Paulo Azeredo e o chefe de gabinete do governo Kadu, Edar Borges Machado, são um exemplo de civilidade. Quinta-feira à noite, momentos antes de iniciar a sessão da Câmara de Vereadores, os dois se encontraram enquanto conversavam com amigos comuns em frente ao prédio da Usina Maurício Cardoso. Ao chegar, Azeredo estendeu a mão ao coronel da reserva, que retribuiu com um firme aperto e a troca de um cordial sorriso.

Caixão – Para quem não lembra, em 2015, foi o depoimento do então ex-diretor de Transporte e Trânsito, Edar, que sepultou o mandato de Azeredo como prefeito de Montenegro. Disse que a ciclovia da rua Capitão Cruz foi feita sem projeto, sem o aval da equipe técnica do Município e sem consulta ao Conselho Municipal de Trânsito. Era tudo que os vereadores precisavam para cassar o chefe do Executivo.

Rapidinhas
* O vereador Juarez Vieira da Silva (PTB) quer transformar em lei um princípio de transparência que deveria fazer parte do dia a dia da Administração. O projeto estabelece que o site do Município deve fornecer ao contribuinte explicações sempre que uma obra pública for interrompida.

* É grande a gritaria dos usuários contra os reajustes das passagens de ônibus anunciados para julho. Também se reclama muito da qualidade dos serviços, mas quando a Prefeitura realizou audiência pública para debater o assunto, apenas meia dúzia de gatos pingados compareceu.

* De acordo com o advogado Carlos Barreto, nos últimos quatro anos, mais de 500 bovinos foram furtados na região. Por isso, ele espera que os candidatos a governador assumam, em campanha, o compromisso de instalar por aqui uma Delegacia de Combate aos Crimes Rurais (Decrab).

* O empenho da Brigada Militar em realizar prisões merece elogio. Somente neste mês, até sexta-feira, foram 11 traficantes tirados de circulação. Vale lembrar que este crime tem relação direta com muitos outros. A falta de efetivo não significa vida fácil para a bandidagem.

* Em assembleia realizada na sexta-feira, o Cpers/Sindicato aprovou a reinvindicação de reposição salarial de 23,29%. Óbvio que o Estado não atenderá a solicitação e provavelmente haverá nova greve. Como a população apoiou os caminhoneiros, será que os professores também poderão contar com este respaldo?

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