Assim como a depressão, a estagnação do desenvolvimento de uma comunidade apresenta sintomas que nem sempre são percebidos logo que começam a aparecer. Em geral, o primeiro sinal é o desânimo, que paralisa e reduz o interesse por algo que, antes da moléstia, parecia importante. Assim como a pessoa doente muitas vezes negligencia a aparência e não se importa, sequer, com a limpeza da casa, a cidade também é entregue ao desleixo. Montenegro vive uma dessas crises depressivas nos últimos anos e os sinais estão por toda parte. Vão dos ginásios interditados no Parque Centenário à degradação do Cais e dos prédios públicos, incluindo o Palácio Rio Branco. A falta de manutenção na estrada de acesso ao Morro São João, o fechamento do Balneário Municipal e os atrasos na reforma da Biblioteca Pública também são manifestações da doença. Nada justifica que alguns desses problemas estejam à espera de solução há mais de cinco e até de dez anos.

Maus exemplos – Os últimos governantes de Montenegro – todos eles – abandonaram a cidade, a tal ponto de a própria população já não se importar com isso. E quando o poder público não faz a sua parte, não dá um bom exemplo, a tendência é que a população também negligencie suas obrigações. Se o Centenário, o Cais e o Morro não são bem tratados, muita gente também acha desnecessário limpar o seu pátio, acondicionar o lixo adequadamente e conservar a calçada em frente às casas. Basta caminhar pelas ruas para ter a prova.

A falta de cuidado com o patrimônio público não é uma condição recente em Montenegro. Tem mais de dez anos. Em 2017 e 2018, até se pode admitir que, em virtude da crise na economia, tem sido difícil reverter a situação, mas, antes disso, a cidade passou por um verdadeiro “minimilagre econômico”. O orçamento do Município foi multiplicado por três em apenas uma década e praticamente todos os anos houve superávit nas contas públicas. Se as obras não ocorreram, foi porque não eram prioridade dos ex-inquilinos do carcomido Palácio Rio Branco.

Teimosia – No meio do caminho, lamentavelmente, também ocorreram equívocos injustificáveis. A reforma e a ampliação da Biblioteca Pública, por exemplo, estava contratada e com verba reservada em dezembro de 2012. Só que, ao assumir, Paulo Azeredo achou o custo muito alto e parou tudo. Seis anos depois, a execução do projeto vai custar quase o dobro do que estava orçado na época.

Acesso prejudicado – Além do gasto em dinheiro, que agora será mais alto, há outros custos que não se pode mensurar: o prejuízo à comunidade por não ter acesso fácil ao acervo, confinado num prédio inadequado dentro do Parque Centenário.

Falta de espaço – Da mesma forma, a interdição dos ginásios Domingos dos Santos (Domingão) e Normélio Petry (Azulão) impede seu uso pela comunidade. Quantos jogos e campeonatos deixaram de ser disputados nestes espaços ao longo dos anos? Impossível dizer. Investir no esporte é promover a qualidade de vida da população, mas, para praticá-lo, é preciso ter espaços adequados.

Médicos eficientes – A “depressão coletiva” que se apossou da cidade tem no poder público seu principal responsável. Por omissão ou incompetência, não conseguiu transformar o aumento da arrecadação com impostos em melhor qualidade de vida para a população. Ao contrário. Comparando com a situação de dez anos atrás, hoje estamos bem piores. Remédio? Assumir a responsabilidade sobre os problemas e buscar ajuda. De preferência numa boa escola de gestão pública. É lá que estão os “médicos” de que precisamos.

Defesa das minorias
A vereadora Josi Paz (PSB) está em Brasília esta semana, buscando melhorias para a cidade. Segunda-feira, ela teve uma reunião com a montenegrina Marina Reidel, diretora de Programação dos Direitos LGBT da Secretaria Nacional de Cidadania, no Ministério dos Direitos Humanos. “Discutimos a possibilidade de um seminário ou workshop em Montenegro, possivelmente em julho, para trabalhar a temática LGBT. Iniciamos também um diálogo sobre a importância de Montenegro ter um espaço de discussão para construção de políticas públicas, como uma coordenadoria de gêneros e diversidade”, explica.

Recursos – Josi acrescenta que, segundo Marina, há possibilidade de emendas ao orçamento da União para implantação de projetos de atendimento a este segmento da população.

Campanhas atrasadas
O governo do Estado lançou sua Campanha do Agasalho na semana passada e a Prefeitura de Montenegro deve fazê-lo hoje. Embora o inverno comece oficialmente somente no dia 21 de junho, as temperaturas costumam cair bem antes disso no Rio Grande do Sul. Levando em conta que depois da coleta ainda são necessários alguns dias para a triagem e a entrega aos necessitados, ela não deveria começar mais cedo? Por que não no começo de maio, quando as primeiras frentes frias já invadem o estado?

Trabalho reconhecido
Um trabalho realizado pela equipe de combate às endemias, em Montenegro, será apresentado em Gramado, no fim do mês, durante o 30º Congresso das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul. O projeto “Brincando e aprendendo a combater o mosquito Aedes aegypti de forma lúdica”, desenvolvido pelas agentes Andressa Abreu Pereira, Pamela Silva da Silva e Vanessa dos Santos Machado, já alcançou mais de 1.500 crianças. É uma forma inteligente de educar e formar adultos mais conscientes que os atuais. Hoje a cidade tem cerca de 50 focos do mosquito e está à beira de um surto de Dengue.

Rapidinhas
* O Supremo Tribunal Federal anda à voltas com uma pauta curiosa. Vai decidir se, em caso de divórcio, pode haver guarda compartilhada dos cães e gatos do casal. É a mais alta corte do país perdendo tempo com o que deveria ser resolvido pela “lei do bom senso”.

* A 21ª Festa da Bergamota e das Flores, de São Sebastião do Caí, reuniu 60 mil pessoas, segundo os organizadores. Muitas delas eram de Montenegro, que não têm um evento assim para curtir aqui.

* Praticamente meio ano se passou e nada de a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) apresentar o projeto das rótulas para os acessos aos bairros Santo Antônio e Panorama na RSC-287. Assim, fica difícil acreditar que as obras sairão este ano.

* Pesquisa indica que, apesar de tudo, José Ivo Sartori, candidato à reeleição ao governo do Estado pelo MDB, é o preferido dos eleitores no momento. A gauchada virou masoquista?

* Assim como o PFL virou Democratas, o Partido Progressista (PP) também retocou a maquiagem. Agora é apenas “Progressistas”.

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