Em outubro deste ano que acabamos de inaugurar, os brasileiros voltam às urnas para eleger presidente da República, governador, senadores, deputados federais e estaduais. A proximidade das eleições já pode ser sentida pelos mais observadores. Desde o segundo semestre de 2017, semanalmente, aterrissam na cidade deputados federais anunciando a liberação de emendas ao orçamento da União para obras e serviços. O que poderia ser oficializado por meio de um simples e-mail, é feito com pompa e circunstância, em roteiros pagos pelo contribuinte para os parlamentares e seus assessores. Fieis ao velho ditado “quem não é visto não é lembrado”, suas excelências andam por aí em busca de holofotes, fotos em jornais e reportagens na TV e no rádio. Nas redes sociais, pipocam selfies ao lado das lideranças locais, na expectativa de que seu prestígio possa reverter em votos logo ali adiante. Faz tempo que vivemos este clima e, embora a sociedade clame por mudanças na Política, os métodos continuam sendo os mesmos.

Paraquedista – Semana passada, o deputado federal Pompeo de Mattos, do PDT, foi alvo de “sopapos” em grupos locais do Facebook. Ele caiu de paraquedas no evento em que foi assinado convênio entre a Prefeitura e a Empresa Gaúcha de Rodovias para a realização de melhorias na RSC-287. Os mais indignados chegaram a dizer que o parlamentar não passa de um “papagaio de pirata” nas fotos, já que nada fez para resolver o problema, apesar das boas votações que costuma fazer na região.

Imoralidade – No clube dos papagaios de pirata, Pompeo de Mattos tem a parceria de centenas de parlamentares. A população não tem obrigação alguma de se sentir devedora dos políticos que conseguem verbas para a compra de ambulâncias, para a construção de creches ou escolas, para o asfaltamento de ruas ou para a reforma de prédios públicos. Esse dinheiro é do contribuinte, recolhido por meio de impostos e equivocadamente usado como moeda nas campanhas. Infelizmente, a legislação sustenta esta barbaridade e obriga os prefeitos a participarem desse jogo imoral, tendo de ir a Brasília de chapéu na mão e, em troca de migalhas, buscar votos para estes falsos “benfeitores”.

Grupos – O voto deve ser fruto de uma escolha meticulosa e consciente. Não é fácil. Grande parte dos integrantes do governo foi pega com a boca na botija, lambuzando-se em esquemas que saquearam a Petrobras e outras estatais. Não merecem confiança. Entre os que estão de fora, muitos também são alvo de investigações por outros tipos de irregularidades, tão ou mais graves. O terceiro grupo é o dos incompetentes, formado por políticos que já tiveram poder e fracassaram na tentativa de tornar o país melhor. E ainda existe um quarto, o dos “salvadores da pátria”, com discursos inflamados, mas sem base moral e intelectual.

Vida pregressa – Embora as eleições pareçam estar ainda muito longe, este é um momento importante. É a hora de começar a pesquisar sobre a trajetória daqueles que desejam nos representar. Conhecer sua história, conferir o que pensam e o que estão fazendo dentro ou fora do poder dará pistas importantes sobre a sua conduta. E permitirá ao eleitor saber se realmente merecem confiança. O voto consciente depende disso.

Fragilidade – Não será uma escolha fácil num cenário político marcado, como nunca antes, pelos escândalos de corrupção e pela incompetêcia dos nossos gestores em transformar os impostos que arrecadam em serviços de qualidade à população. A descrença e a falta de expectativas é gigantesca, a tal ponto que, se o comparecimento não fosse obrigatório, muitas urnas ficariam às moscas. Analistas políticos, inclusive, já projetam recordes de abstenção e uma enxurrada nunca vista de votos brancos e nulos. Infelizmente, isso apenas fragiliza ainda mais a Democracia

A história se repete mais uma vez
Os atrasos nos pagamentos que cabem ao Estado colocam os dependentes do SUS novamente em dificuldades. Os cirurgiões que atuam no Hospital Montenegro vão suspender os trabalhos, limitando-se a fazer apenas as intervenções que já estão agendadas. A história se repete como uma praga desde que José Ivo Sartori está no comando do Rio Grande do Sul. A cada começo de ano, a população fica sobressaltada porque o Estado não cumpre as suas obrigações mínimas com a sociedade.

Não faz – É compreensível que os quatro anos do governo Sartori tenham sido difíceis por causa da crise na Economia. Complicado é aceitar que o governador não tenha adotado uma iniciativa sequer além das frutradas tentativas – até aqui – de renegociação da dívida com a União. O “gringo que faz” ficou devendo em ação, mas tem gente que vai pedir votos para ele.

Rapidinhas
* Municípios liderados por pessoas mais sensíveis à causa animal estão adotando legislações que proíbem a comercialização de fogos e rojões que causem estrondos. O barulho é prejudicial aos ouvidos de cães e gatos, que possuem uma audição muito mais apurada que a humana. Algum político local a fim de carregar esta bandeira?

* Videntes previram, nos últimos dias de 2017, a possibilidade de Michel Temer ser obrigado a se afastar da Presidência por motivos de saúde antes do encerramento do mandato. O cargo ficaria com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

* Fiscalização sanitária da Prefeitura tem sido rígida com os agricultores que vendem na Casa do Produtor Rural. Se visitassem os banheiros do prédio, veriam que o maior problema não é a mercadoria comercializada lá.

* Prefeitura precisa, urgentemente, fazer uma operação tapa-buracos. No Centro, em vias como a Buarque de Macedo e a Santos Dumont, está se tornando difícil desviar, tamanha a quantidade.

* O efetivo já era pequeno, mas, com o início da Operação Golfinho, encontrar um brigadiano em Montenegro pode ser prova de gincana. E pelo grau de dificuldade, com pontuação bem alta.

* Semana passada, durante uma rara operação de fiscalização, a Brigada Militar autuou 22 motoristas em apenas quatro horas, na Avenida Júlio Renner. É o efeito da impunidade.

* Prefeitura de Maratá foi acusada de racismo por, teoricamente, preferir crianças de origem alemã para ilustrar seu calendário de 2018. A Administração nega, mas só vai vencer o estigma no dia em que houver uma negra na corte da Oktoberfest.

* Muita gente vibrou, nas redes sociais, com o assalto sofrido pela deputada federal Maria do Rosário (PT), na semana passada. Conhecida por suas pautas ligadas aos direitos humanos, consideram a congressista “defensora de bandidos” e até sugeriram que ela deveria ter levado um tiro. Seriam estes os que se intitulam “pessoas de bem”?

* As cenas de Paulo Maluf sendo preso tornaram melhor o fim de 2017. O político paulista foi o grande símbolo da corrupção no país nos anos 80 e 90. Espera-se que a sociedade não precise esperar mais 20 anos para ver algemados seus “sucessores” na “arte” de desviar dinheiro público.

* O deputado federal Sérgio Moraes, do PTB gaúcho, é um dos cotados para assumir o Ministério do Trabalho. Natural de Santa Cruz do Sul, o parlamentar ficou famoso, há alguns anos, ao dizer na televisão que está se “lixando” para a opinião pública.

* Por essas e outras, o brasileiro só tem uma certeza: o governo Temer sempre pode piorar mais.

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