Já tem pelo menos cinco vereadores dispostos a assinarem o requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a implantação do novo plano de carreira do funcionalismo municipal. A ideia é de Talis Ferreira (PR) e Neri de Mello Pena, o Cabelo (PTB), mas conquistou o apoio também de Joel Kerber (Progressistas) e dos emedebistas Cristiano Braatz e Felipe Kinn da Silva. Como a instalação da CPI requer apenas quatro assinaturas, a princípio, não haverá grandes obstáculos ao início das apurações, que deve ocorrer ainda este mês. A principal pergunta que precisa ser respondida é por que, se a previsão de impacto financeiro das mudanças na folha foi orçada em torno de R$ 300 mil ao mês, este valor chegou rapidamente a R$ 1,6 milhão. Semana passada, Talis disse que iria verificar se há diferença entre o texto elaborado internamente pelo governo e pela comissão de servidores encarregada de construir a proposta e o que foi, em seguida, enviado à Câmara para votação. A tarefa ainda não foi concluída.

Sem ganhos – Tão importante quanto identificar o que ocorreu, é descobrir remédios para estancar a sangria. O dinheiro gasto a mais todos os meses deixou a Administração Municipal sem condições de pagar todas as suas contas com tranquilidade e, muito menos, de fazer investimentos. A situação se torna ainda mais grave quando se constata que a valorização do funcionalismo – todos tiveram ganhos reais – não resultou em melhorias para o cidadão. Somando todos estes fatores, a investigação não é apenas bem-vinda, mas necessária. Muito!

Responsável – Como o prefeito Kadu Müller era secretário de Administração na época, muitos o acusam de ter ajudado a construir o “monstro”. Uma CPI será também a oportunidade de saber até que ponto isso é verdade. O chefe do Executivo aparentemente está tranquilo e não deve mobilizar sua “base” contra o inquérito.

Compras liberadas
Depois de muita discussão e ranger de dentes, a Câmara de Vereadores acabou aprovando, por seis votos a três, o projeto de lei que autoriza a Prefeitura a contrair empréstimo com o Banco do Brasil, até o limite de R$ 3,2 milhões, para a compra de computadores, máquinas e veículos. Entre os favoráveis à operação, prevaleceu o argumento de que é preciso acelerar a manutenção de ruas e estradas, uma vez que a comunidade cobra melhorias que, nas atuais condições, é impossível realizar por conta do sucateamento em que se encontra o parque de máquinas. Já os contrários alegaram que a Prefeitura deve recuperar o que já possui e esperar um provável aumento da arrecadação em 2018 para fazer a compra à vista, sem a necessidade de pagar juros.

Peças – Após a visita, Erico Velten declarou que o motor de uma van do transporte escolar desapareceu do pátio, gerando grande alarde. Imediatamente foi desmentido pelo chefe de gabinete do prefeito, Edar Borges Machado. Segundo ele, o motor está desmontado, guardado no setor. Horas antes da sessão, a Assessoria de Comunicação do governo publicou fotos de peças que seriam desta unidade. A repercussão foi imediata. Joel Kerber acusou o presidente da Cämara de calúnia e Valdeci Alves de Castro disse que ele estava fazendo politicagem.

Fim do ano – Com a compra autorizada, a Prefeitura deve formalizar a adesão ao programa de financiamento nas próximas semanas e, em seguida, abrir a licitação para as compras. Se tudo correr bem, os equipamentos chegam em novembro, a tempo aproveitar o verão – melhor época do ano – para recuperar as vias públicas e as estradas do interior.

Placar – Os votos contrários foram dos vereadores Cristiano Braatz e Felipe Kinn da Silva (ambos do MDB) e de Neri de Mello Pena, o Cabelo (PTB). Também o presidente do Legislativo, Erico Velten (PDT), fez aberta oposição ao empréstimo, mas, por força do Regimento Interno, não vota esse tipo de matéria. A favor, posicionaram-se os socialistas Josi Paz, Rose Almeida e Valdeci de Castro, Joel Kerber (Progressistas), Juarez Vieira da Silva (PTB) e Talis Ferreira (PR).

Base – Este foi o primeiro projeto realmente polêmico que o governo Kadu encaminhou ao Legislativo para votação e o resultado demonstra que ele foi hábil na construção de uma base sólida na Câmara. A maioria dos vereadores até entende que os atuais gestores do Município têm parte da culpa pelo colapso do maquinário – por serem egressos das administrações de Paulo Azeredo e Luiz Américo Aldana – mas pondera que a população não pode continuar sendo prejudicada.

Retaliação – Durante a discussão do projeto, o vereador Felipe Kinn da Silva disse que chegou a ser ameaçado por sua postura contrária ao empréstimo, mas garantiu que nada vai mudar as suas convicções. Ele não falou exatamente o que houve, mas parece ter relação com pessoas que indicou para integrarem o governo, que agora estariam muito próximas da fila do Sine.

Derrota – O grande derrotado neste processo é o presidente da Câmara de Vereadores, Erico Velten. Depois de utilizar a força do cargo para protelar a votação da matéria, semana passada, ele tentou outra jogada. Foi até a Secretaria de Viação e Serviços Urbanos, contou e fotografou todos os carros e máquinas parados à espera de manutenção e de venda como sucata. São mais de 50 itens. Com isso, Velten pretendia mostrar que o problema do governo não é falta de equipamentos, mas a incapacidade de gestão.

Culatra – O tiro, porém, acabou saindo pela culatra. Primeiro, porque o grande número de equipamentos a consertar reforça a necessidade de renovação da frota. Segundo porque, em 2014, quando Velten tinha cargo de assessor na Prefeitura, durante o governo Azeredo, já havia 37 unidades paradas pelos mesmos motivos. É cinismo cobrar dos outros aquilo que alguém não fez quando esteve no poder.

Rapidinhas
* Quando vão a bailes e festas, os políticos deveriam evitar o excesso de álcool e outras substâncias. E, mais ainda, “mexer” com alguma mulher – ainda mais se forem casados. Nesses tempos tecnológicos, sempre tem alguém filmando, disposto a colocar as imagens no Whats App.

* Ex-presidente da ACI e da Unimed Vale do Caí, o médico Valdir Kleber colocou seu nome à disposição do MDB para concorrer a deputado estadual. O partido deve se pronunciar em breve.

* E por falar em pré-candidatos à Assembleia Legislativa, Adairto da Rosa, o Chacall, registrou em cartório uma proposta que, se for eleito, acredita que ajudará a resolver os problemas do Estado.

* Vereadora Rose Almeida (PSB) sugere que a mesa da Câmara promova uma espécie de cursinho sobre licitações para ajudar os colegas a entender a tramitação desses processos, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Tem muita gente falando sem ideia de como funcionam.

* À noite, quando a maioria descansa, vereador Valdeci Alves de Castro (PSB) percorre as estradas do interior e marca, com fitas coloridas, os postes onde a iluminação pública não funciona. A prática facilita e agiliza o processo de troca das lâmpadas pelas equipes da Prefeitura Municipal.

* O chefe de gabinete do prefeito, Edar Borges Machado, tem acompanhado com frequência as sessões da Câmara. Olhos e ouvidos de Kadu Müller, é ele que vai definir o tipo de retribuição que cada legislador terá do governo municipal.

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