Depois de governar quase seis meses praticamente sem oposição, o prefeito Carlos Eduardo Müller começa a experimentar uma elevação no tom das críticas. Das ruas sujas e esburacadas, elas já não são tão recentes. A novidade é que a “voz de Deus” começou a encontrar, na Câmara de Vereadores, um pouco de ressonância. Há duas semanas, o presidente do Legislativo, Erico Fernando Velten (PDT), tem usado a tribuna para bater no governo. Cobrado fortemente pelos seus eleitores, exige providências em relação à manutenção das estradas do interior. Na terça-feira passada, ele iniciou uma jornada pelos mais de 600 quilômetros de caminhos da zona rural e, em cada localidade, a chiadeira é a mesma. Quinta-feira, o sangue colono – com muito orgulho, diga-se de passagem – ferveu na tribuna. Para Velten, Kadu e Cia estão sendo incompetentes para lidar com os problemas do interior.

Hora certa – A manifestação de quinta foi a continuidade dos ataques que iniciaram na semana anterior. Aliás, desde 1º de fevereiro, Velten vem cobrando do prefeito a apresentação de um cronograma de ações na zona rural. No verão, a redução do volume de chuvas facilita a recuperação das estradas. Este, portanto, é o período mais apropriado para tapar os buracos, ensaibrar as vias, roçar as laterais e abrir os bueiros por onde a água da chuva deve escoar. O problema é que a Prefeitura está sem máquinas nem para fazer o básico, deixando os agricultores indignados.

Chega de mi-mi-mi – Velten já tinha dito que o secretário de Viação e Serviços Urbanos, Edar Borges, deveria assumir de fato a função, deixando de lado o cargo de chefe de gabinete, que exerce simultaneamente. Ou desocupar a moita para que outro possa fazer o trabalho. E sugeriu que está na hora de parar com o mi-mi-mi da falta de dinheiro e agir.

Conferindo – Semana passada, depois de iniciar a via crucis por Pesqueiro e arredores, a irritação aumentou. O vereador constatou com os próprios olhos o abandono a que as comunidades foram submetidas. Da tribuna, cobrou providências urgentes. Em aparte, Joel Kerber (PP) tentou defender a Administração. Irritado, Velten disse que não entendia o comportamento do colega.

Defesa –
Quando chegou a sua vez de ir à tribuna, Joel explicou que a culpa pela situação das estradas é, sim, da crise que atingiu o Município. Por vários meses, a Prefeitura não teve dinheiro para comprar peças de reposição e colocar o maquinário em dia. Agora que tem, não estaria encontrando fornecedores dispostos, sequer, a participar das concorrências fornecendo orçamentos.

Alternativas – Para que o leitor entenda: mesmo que a Prefeitura faça uma compra de valor pequeno, que não alcança o limite para a abertura de um processo de licitação, é necessário consultar os preços em pelo menos três fornecedores. Vende o produto ou presta o serviço aquele que faz a melhor oferta. O problema é que muita gente está cansada de fornecer valores e ver sempre os mesmos ganharem a briga, a ponto de se sentirem meros “palhaços” facilitando esquemas indecentes. A Operação Ibiaçá mostrou que as suspeitas tinham fundamento.

Registro – Felizmente, a própria legislação possui remédios para dificuldades assim. A Prefeitura não precisa esperar pela falta de uma peça ou equipamento para iniciar o processo de aquisição. Por meio de um mecanismo chamado “registro de preços”, pode definir, junto a determinadas empresas, quais valores serão praticados caso ela resolva contratar certo serviço ou adquirir determinado bem. Agiliza, em muito, as compras de ítens mais baratos e só exige um pouquinho de competência.

15 em ação – Lógico que existem dificuldades, que a crise não é uma invenção, mas grande parte dos problemas poderia ser evitada se fossem adotadas medidas preventivas. São graves os problemas de gestão. Felizmente, segundo Joel Kerber, a falta de manutenção das estradas está com os dias contados. Ele esteve na secretaria de Viação e Serviços Urbanos e recebeu do assessor especial Bruno Zietlow uma promessa animadora. Até quarta-feira, dia 28, pelo menos 15 máquinas e caminhões que estavam parados voltam à ativa. Promessa é dívida! E será cobrada!

Reforço – Num primeiro momento, o episódio pode não parecer importante. Contudo, até então, o único vereador que vinha mantendo uma posição mais crítica em relação ao governo Kadu era Cristiano Braatz, do PMDB. Com Erico Velten surfando na mesma onda, a oposição ganha mais uma voz. A segunda.

Acordem! – Não se pode deixar de lembrar, porém, que os próprios vereadores estão contribuindo para a falência dos serviços públicos quando aprovam, por unanimidade, ganho real para o funcionalismo, contando com um aumento na arrecadação que nem ocorreu ainda. Quem sabe, agora, com a população gritando mais alto, suas excelências acordem para os erros que estão cometendo.

Negociação no varejo
O pior cego é aquele que não deseja ver. Que o diga o presidente do PMDB, Adair da Silva, o Dadá. Nas redes sociais, ele declarou que a nomeação da irmã do vereador Felipe Kinn para o governo justamente no momento em que o partido decide que não vai ingressar nele, deve ser um mal-entendido. Não é! Parece que o prefeito resolveu “dar uma volta” na legenda e tratar tudo no varejo, diretamente com os vereadores. Ao presidente do partido, resta a máxima do “filósofo contemporâneo” Cumpádi Washington: sabe de nada, inocente.

Convocação deselegante
A pedido do petebista Neri de Mello Pena, o Cabelo, a Câmara vai promover uma reunião para tratar da falta de vagas nas escolas de Educação Infantil. O encontro deverá contar com a presença da secretária municipal de Educação e Cultura, Rita Carneiro Fleck, que foi CONVOCADA a participar. O vereador Talis Ferreira (PR) quer aproveitar a oportunidade para esclarecer o que está havendo nas concorrências do transporte escolar este ano.

Sem bolo – O encontro é importante, mas a forma como a Câmara quer garantir a presença da secretária tem a marca da deselegância. Normalmente, as convocações ocorrem quando o convidado não comparece ao primeiro chamado. Até onde se sabe, a secretária Rita não costuma dar “bolo” nos vereadores.

Suplentes
O vereador Juarez da Silva vai tirar uma licença de duas semanas a partir do dia 1º de março. E quem assume em seu lugar é a quarta suplente do PTB, Maria Elis da Silva, a Zazá. A troca foi calculada para permitir a presença de mais uma representante do sexo feminino no Legislativo durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.

Rodízio – Juarez e seu colega de bancada, Neri de Mello Pena, o Cabelo, querem dar uma oportunidade de assumir a todos os suplentes da sigla. Na fila, estão Renato Antônio Kranz, Rubens Pinto dos Santos e Claudiomiro Tomasi. Os dois vereadores partem do princípio de que os votos deles ajudaram a compor o quociente eleitoral que os colocou na Câmara.

Rapidinhas
* O lucro recorde do pedágio de Rincão do Cascalho em 2017 – R$ 2,8 milhões – reforça a esperança de que, em breve, haverá melhorias e mais segurança nos acessos aos bairros Santo Antônio a Panorama. Pelo menos a falta de dinheiro não poderá ser usada como desculpa.

* O Hospital Montenegro deve receber cerca de R$ 1,9 milhão em emendas ao orçamento da União este ano. Os repasses serão viabilizados pelos deputados federais Pompeo de Mattos (PDT), Danrlei de Deus (PSD), Ronaldo Nogueira (PTB), Elvino Bohn Gass (PT) e Cajar Nardes (PR).

Deixe seu comentário