A falta ou o excesso de chuva, geadas fortes, quedas de granizo, vendavais e a multiplicação das pragas são os grandes desafios de quem escolheu tirar o próprio sustento da terra através da produção de citros. Em poucas horas, o trabalho e a dedicação de um ano inteiro podem ser perdidos, deixando estas famílias sem renda. Mesmo assim, muitas insistem em continuar na agricultura, por vocação ou falta de alternativas. Não bastassem todos estes obstáculos, em Montenegro, a falta de apoio do poder público se torna um problema a mais. Há cerca de dez anos, o governo federal instituiu, para os citricultores, a necessidade de apresentação de um Certificado Fitossanitário de Origem nas vendas de frutas para outros estados. Ocorre que o documento chega a custar mais de R$ 2 mil, dependendo do profissional que o emite. Mais uma despesa que onera a atividade e reduz os ganhos de quem trabalha.

Aqui não – A exigência do CFO visa, segundo o governo, atestar a sanidade das frutas produzidas e impedir a disseminação de pragas de um Estado para outro. Contudo, como se trata de uma despesa alta, muitas prefeituras, incluindo as da região, contrataram engenheiros agrônomos para a elaboração dos laudos, oferecidos gratuitamente aos citricultores. Curiosamente, não é o caso de Montenegro, a maior cidade da região e que tem na citricultura sua principal atividade primária.

Perda de receitas – A Administração Municipal alega que não tem dinheiro para manter um engenheiro agrônomo à disposição dos citricultores. Desculpa esfarrapada de quem não tem a dimensão do que a cidade vem perdendo por falta de visão. Hoje, muitos citricultores possuem também áreas de terras e parceiros em cidades vizinhas e acabam obtendo os CFOs lá. Em troca, produtores de Montenegro emitem suas notas fiscais por cidades como Maratá, Pareci Novo e São José do Sul, que se beneficiam dos impostos decorrentes da atividade.

Sem asfalto – Infelizmente, o descaso com o setor primário é histórico e o CFO é apenas a face mais visível do abandono a que os agricultores são submetidos pela Administração Municipal. Tirando um pequeno trecho da Transcitrus, a Prefeitura de Montenegro não fez um único quilômetro de asfalto no interior nos últimos 25 anos. E a manutenção destas estradas raramente pode ser avaliada como boa. Há localidades em que até o escoamento da safra fica comprometido no inverno.

Êxodo – Não é diferente com quem produz aves, suínos, gado, acácia ou qualquer outra riqueza. Os últimos inquilinos do Palácio Rio Branco – mesmo os que nasceram no interior – praticamente ignoraram a existência destas atividades econômicas. O resultado é que menos gente está produzindo e muitos que poderiam estar nas propriedades da família, levando uma vida confortável, migraram para a cidade e engrossam as filas de desempregados.

Todos os anos, a Prefeitura de Montenegro realiza, com pompa, um evento de abertura da safra de citros. As autoridades se revezam no palanque, colhem frutas e fazem promessas que nunca são cumpridas. Está na hora dos produtores boicotarem este teatrinho.

De costas – Por ter assumido há poucos meses, ainda é cedo para esperar que o prefeito Carlos Eduardo Müller resolva todos estes problemas de uma só vez. Contudo, a forma como a agropecuária é tratada hoje pelo poder público precisa mudar. A Prefeitura não pode continuar de costas para um setor com tamanho potencial. Exemplos de gestão eficiente não faltam ao redor de Montenegro. Se cidades bem menores conseguem, por que aqui não se conseguiria?

Rapidinhas
* A Biblioteca Pública completou 68 anos no sábado. Esperava-se que, até esta data, estivesse de volta ao seu endereço original, na Capitão Cruz.
* A ideia de instalar um outdoor em Montenegro para divulgar o “mito” Bolsonaro fez água. Simpatizantes do pré-candidato à Presidência enfrentam dificuldades para encontrar alguém disposto a ceder espaço.
* Depois que os processos de Impeachment se popularizaram, não faltam candidatos a vice. Em Capela de Santana, porém, Luiz Fernando Kroeff emprestou seu prestígio para eleger Alfredo Machado e agora renunciou.
* A sintonia entre Executivo e Legislativo é inabalável. Os dez vereadores abriram mão de fazer emendas ao orçamento 2018. Concordam com a destinação de cada centavo dos R$ 254.364.200,00 proposta por Kadu.

Roubo de flores
O prefeito de Pareci Novo, Oregino José Francisco, usou a sua página no Facebook, esta semana, para fazer um desabafo. Ele está revoltado com o furto de flores plantadas nos canos de concreto dispostos ao longo da ERS 124. “As plantas têm sido repostas, mas normalmente voltam a ser furtadas nos mesmos locais”, reclamou. De seis a oito mudas de Três Marias desaparecem diariamente, segundo o chefe do Executivo. Para Oregino, roubar é “falta de caráter”.

Crime – No texto, o prefeito pede a colaboração da comunidade, para que denuncie qualquer movimentação estranha. Oregino lembra que crime contra o patrimônio público pode resultar em detenção e multa.

Público e vendas menores
Aconteceu o que todos esperavam. Transferida para a Estação da Cultura, a Feira do Livro deste ano terminou com queda nas vendas e redução nas visitas em relação aos anos anteriores, quando ocorria na Praça Rui Barbosa. Ainda assim, foi melhor realizar um evento menor do que simplesmente cancelá-lo por falta de verbas. Agora a Prefeitura tem um ano para encontrar alternativas e garantir que, em 2019, a promoção tenha o brilho que foi ofuscado pela crise.

Dias melhores – Embora a troca de data, de maio para novembro, tenha sido um pedido dos próprios escritores, na prática, os dias escolhidos podem não ter sido os melhores. Primeiro, porque muita gente já havia feito suas compras na Feira de Porto Alegre. Segundo, porque no fim do mês as pessoas já estão sem dinheiro. É uma discussão que precisa ser feita.

Faça sua parte
Ainda temos muito a avançar no destino dado ao lixo em Montenegro. O índice de aproveitamento da coleta seletiva de apenas 33%, divulgado nesta semana, é surpreendente. Essa situação é resultado da falta de consciência do cidadão, que não separa o lixo nem está atento aos dias de coleta de cada tipo de resíduo – orgânico e reciclável -, mas também da falta de confiança no serviço de coleta. No entanto, melhor do que simplesmente misturar tudo por desconfiar se a coleta será realmente feita por caminhões diferentes, é denunciar quando perceber que o lixo não foi recolhido da forma adequada.

Reclame! – As reclamações ou sugestões podem ser feitas pelo telefone disponibilizado pela empresa responsável pela coleta, 0800 494 0900. Já a Secretaria do Meio Ambiente pode ser acionada pelo 3649-1829, das 8hàs 12h e das 13h30 às 16h30.

Trocando de mãos
Depois de décadas convivendo com os riscos de uma estrada movimentada e mal conservada, a notícia de que a RSC 287, no trecho que corta a cidade, trocará de mãos, é música para quem transita nela. Em breve, a manutenção, que hoje compete ao sucateado Daer, passará para a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), que possui mais recursos. Renovam-se, portanto, as esperanças em torno da construção de uma elevada no acesso ao bairro Santo Antônio ou mesmo uma passarela. Ou sinaleiras, quem sabe.

Culpados – Aliás, o jogo de empurra sobre o fato de as sinaleiras não terem sido instaladas continua. Tanto a Administração Aldana quanto o Daer devem responder por isso no campo político, já que as vidas perdidas por conta da inércia das duas instituições, infelizmente, não podem ser recuperadas.

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