Carl Gustav Jung, em seus estudos, tratou de forma aprofundada a questão de um inconsciente que não se limitava à esfera pessoal. Ele o chamou de Inconsciente Coletivo. Uma força que não pode ser acessada de forma direta, mas que nem por isto deixa de exercer seus efeitos sobre nós. Um dos componentes que habitam este inconsciente é a foça da cultura. Resquícios de tudo o que vivemos e fazemos e que, neste grande contexto do social, são capazes de produzir marcas e memórias, em nós e tudo mais que se move à nossa volta.
Quer dizer que o que fazemos hoje é influenciado por fatores muito antigos e/ou remotos, vividos por nossos antepassados? Sim. Carregamos uma fração do meio social e este age sobre nós. Vale lembrar que agir não significa determinar. Se carregamos esta “história” viva em nós, também a produzimos e a deixamos como herança para gerações vindouras. Porém, uma simples observação do modo como vivemos faz pensar: Qual herança estamos deixando como sociedade?  
Algo que já observamos há tempo, mas que se tornou evidente com a recente “greve” dos caminhoneiros, é a nossa envergadura para utilizar/interferir no que é comum a todos em prol de benefícios próprios. Enquanto sociedade, nos portamos de forma imatura e desorganizada. Em linguagem psicológica, “pueris”. Marie Louise von Franz definiria como “Puer Aeternus” (a eterna juventude). Aquele que se porta de forma narcísica, infantil, recusando-se à maturidade. Uma tradução mais adequada talvez fosse “inconsequentes”.
Quando “o avião” não está voando de fora suave, nos revoltamos e atiramos “o piloto” para fora. O pensamento é este: “primeiro tiramos o piloto, depois vemos como vai ficar”.
E quem surge nestes momentos em que o avião está em queda livre? Os salvadores da Pátria. A história é sempre a mesma. Lembre-se: ela se repete. No entanto, só se dá conta disto quem, com muito empenho, abandona seu próprio estado “pueril”. E isto se dá pelo trabalho, pelo estudo e pela consciência do coletivo, ou pela experiência. Mas como ter experiência se nos negamos crescer?
Neste sentido, crescer, se refere a sair dos estados narcísicos (com foco em si) e desenvolver uma consciência de coletivo. Lembrando: tudo o que fazemos hoje se torna parte do amanhã. Não de forma estática, escrita nos livros de História. Se torna parte viva e participativa que acompanha a raça humana por gerações. Não é o seu sistema de governo que vai salvar o mundo, tampouco o seu herói. O que produz um mundo melhor está na capacidade e no empenho de cada um pelo coletivo. Algo que jamais será atingido enquanto formos uma sociedade que pensa de forma “infantil” e ainda acreditar que tudo o que acontece no mundo é “culpa do outro”. 
Paz e bem !

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