Sempre me encanto com a ciência. Em especial, como processo de pesquisa. Os caminhospelos quais a curiosidade, de almas inquietas, pode transitar. Mesmonão tendo o mérito da chegada. Elas se movem e movimentam o mundo ao seu redor. Transbordam certahabilidade de percepção.De reconhecer em fatores, aparentementesem relação alguma, similaridades e conexões.
O filósofo austríaco Rudolf Steiner, nascido em 1861, destaca-se neste meio. Atribui-se a ele uma produção superior a quatrocentos livros e mais de seis mil palestras. Durante anos, dedicou-seao desenvolvimento de trabalhos como: Agricultura Biodinâmica, a Medicina Antroposófica, a Pedagogia WaldorfeAntroposofia. Convicto de preencher uma lacuna criada entre a ciência e a fé, dedica-seà Antroposofia de forma especial. Trata-se de umadoutrina filosófica, denominada pelo próprio Steiner como “ciência espiritual” ou “Pedagogia do viver”. Reconhece que, não um pensar corriqueiro, mas,um “pensar sobre o pensar” levariaa humanidade a estados mais elevados da consciência e que, somente assim,ela chegaria a um estado mais “humano”. Ou seja, tornar-se espiritualmentelivre.
Partindo destes princípios(observações sobre a natureza e consciência humana), chega a um de seus conceitos maisinteressantes: aTeoria dos Setênios. Nela, abordao desenvolvimento humano, através de um conceito cíclico. A vida se estrutura em ciclos de sete anos. Nestes,reconhece mudanças significativas, tanto físicas quanto materiais e espirituais.Quando reunidos, três ciclos de sete anos formam um maiore, o mais interessante, este se equivaleriaa uma estação do ano. Quatro ciclos de vinte eum anos: as quatro estações.
Assim, a vida nasce e se estrutura na primavera. O verão da vida marca a maturação, através do trabalho e a busca de estabilidade material. No outono, junto às folhas que caem, o corpo não será mais o mesmo eas perdas mais frequentes.Uma fase de adaptação do mais para o menos. No inverno, o que até então era crescimento físico e material, volta-se à maturação espiritual. O recolhimento “na própria casa” (em si) e a espera pela nova primavera. São os anos propícios ao exercício da maturação adquirida.
Atualmente, percebemos estes conceitos de uma forma muito mais metafórica. Mesmo que não se enquadrem com a realidade das nossas gerações, fica o mérito da percepção de Steiner para seu tempo e sua cultura. Ainda temos muito a aprender da nossa própria natureza. Porém, somente pela consciência de nossas potencialidades e limitações, poderemos nos tornar mais humanosconoscoecom nosso próximo.

Paz e bem!

Deixe seu comentário