Há uma sentença que diz: “As pessoas te amarão pelo que você é. E outras te odiarão pelo mesmo motivo. ”
Na raiz desta sentença, há uma provocação: seja você mesmo! Mas aí vem uma questão mais profunda. Sabemos quem realmente somos?
Adquirir consciência de si é um processo que passa por diversas etapas ao longo da vida.
O resultado de tudo o que vivo e que me acontece, pode ser reconhecido com o seguinte pensamento: “este sou eu”.
O psiquiatra suíço e pai da psicologia analítica, Carl Gustav Jung, denominou a este reconhecimento do Eu, como “consciência do Eu”, ou Ego.
Desde a infância, já teríamos condições de reconhecer este processo e desenvolvermos uma certa autonomia desta consciência.
Porém, além de todas as instâncias que habitam a psique, a consciência e o Ego são fortemente moldados pela cultura e pelos padrões sociais nos quais crescemos e somos “educados”. Mas, nem sempre, o processo ocorre conforme o esperado. Manifestações frequentes de insegurança e ansiedade dão indícios de um ego que não adquiriu uma plenitude no que diz respeito a autonomia e confiança.
Jung, tendo sido um dos maiores estudiosos da psique humana, chega a propor que teríamos duas personalidades. A primeira, este núcleo inato ao qual chamamos de Ego. A segunda, uma camada que adquirimos com o tempo e que funcionaria como uma roupagem que protege a pele. A ela deu o nome de Persona. A persona não é a pessoa real, mas ela tal como se apresenta. Os papéis que representamos na sociedade.
Conhecer-se e “re-conhecer-se” não é um processo fácil. É uma tarefa à qual poucos se dedicam ao logo da vida. Além disto, aos que se aventuram nesta jornada, nenhuma garantia de uma vida plena, de segurança ou de certezas é dada, mas, certamente, este indivíduo se tornará mais preparado para lidar com as questões que a vida lhe apresentar ao longo do caminho.
Como bem definiu o próprio Jung: “É ilusório imaginar que o homem possa dominar e controlar a natureza a sua volta quando ainda não foi capaz de enxergar e dominar a sua própria natureza. ”
Desta reflexão, deixo alguns questionamentos:
Realmente, sabemos quem somos? Saber quem somos e que forças atuam sobre nós pode influenciar nossa qualidade de vida? É possível conhecer-se plenamente sem o outro? Passamos mais tempo descobrindo sobre o nosso eu ou atendendo as necessidades da nossa Persona?
Paz e bem!

Deixe seu comentário