O assunto ainda é tabu: o suicídio.
Suicídio não é “falta de Deus no coração”. Da mesma forma que um acidente ou um câncer não fazem distinção entre crentes e descrentes, o suicido não é seletivo. Suicídio não é “frescura”. De forma alguma está associado à covardia ou ao medo. O suicídio não é “problema dos outros”. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada cinco pessoas, uma já pensou em tirar a própria vida. Logo, isto pode estar acontecendo, neste momento, com alguém muito próximo a você.

Números oficiais, do Ministério da Saúde, dão conta de que, no Brasil, diariamente, 32 pessoas tiram sua vida. Para cada óbito, estima-se até 60 casos de tentativa de suicídio. Não se trata de um ato de covardia ou coragem. A ambivalência entre o querer viver e morrer prevalece. Não se trata de doença mental. Apenas 1% dos casos é atribuído a elas. Os transtornos de humor são responsáveis por mais de 35% dos casos e mais de 20% deles, ao uso de substâncias psicoativas. Ainda segundo a OMS, nove em cada dez casos poderiam ser evitados. Daí a importância de falarmos sobre o suicídio.
O Setembro Amarelo não é um mês de comemoração. Não é modismo. O Setembro Amarelo é um mês dedicado à informação e à conscientização. É necessário falar, informar, esclarecer.

O dia 10 de setembro é o dia mundial de prevenção do suicídio. Daí a razão pela escolha do mês para se ampliar a campanha. A cor amarela é utilizada por sua característica de estar associada à atenção. É a cor do alerta.

Curiosamente, o mesmo alerta que encontramos entre o verde e o vermelho dos semáforos. Entre os incontestáveis “siga” e “pare”, há um ponto no qual a decisão está nas mãos do condutor. Um alerta para a brevidade de tempo que separa a segurança do risco. Na alquimia, um dos simbolismos desta cor se refere ao tempo no qual ocorre a maturação das ideias. Na mitologia grega, Ícaro se encanta pelo amarelo solar e, sem perceber, dá fim à própria vida. No mito de Eros e Psique, ao ser abandonada por Eros, Psique tenta suicídio, mas por sorte, é acolhida pelo deus Pã que a convence a reencontrar Eros.
Então, não basta falar e informar. É preciso falar e informar com responsabilidade. Cuidado com informações que circulam pela internet.

Sim: qualquer pessoa pode ajudar (a buscar ajuda), porém, apenas profissionais habilitados podem realizar um diagnóstico seguro e indicar o tratamento adequado.
Pare, ouça, ajude… Sua escuta pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte. Entre o sofrimento e o bem estar psíquico.
Paz e bem!

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