Uma questão, com a qual me deparo frequentemente é se, de fato, haveria algo que pudesse definir e/ou determinar nossa história de vida.
Quem fala mais alto nesta complexa equação do viver? A genética? O meio no qual vivemos? Um destino traçado? Nossas decisões?
Quando criança, estudei em uma escola que não tinha muitos recursos financeiros. O quadro-negro, naquela sala de aula, era daqueles pintados diretamente na parede de alvenaria. Não bastassem todas as imperfeições da parede, quase no centro e ao alto do quadro, havia um buraco.
Nem por isso meus professores deixavam de escrever nele. Alguns o dividiam e utilizavam apenas um dos lados. Outros, faziam com que a linha desviasse, hora por cima, hora por baixo, seguindo a escrita, sem se importar com o buraco. Havia, até quem fizesse piada da situação dizendo: vamos treinar “separar as sílabas”. E assim ficava: uma para cada lado do buraco.
Percebo que muitas pessoas têm a falsa ideia de que a vida seja uma relação direta entre causas e efeitos e não um processo repleto de variáveis no qual o resultado está sempre em aberto.
Neste momento, talvez, você leitor, já deve ter percebido aonde quero chegar com a história da reação dos professores frente ao buraco no quadro-negro, não é mesmo? Não parece responder aos vários questionamentos que trouxe no início deste texto?
É, justamente, esta “linha de raciocínio” que nos leva ao engano da teoria “causa-efeito”. O buraco do quadro é apenas uma parte desta grande equação da vida porque, também, influenciamos e somos influenciados pelo meio no qual vimemos e ainda, ao mesmo tempo, somos as “somas”, as “subtrações”, “divisões” e “multiplicações” de tudo o que decidimos fazer (ou não) com isto tudo. E não age apenas sobre aquele momento do tempo-espaço. Outras tantas coisas estão acontecendo e sendo produzidas naquele momento. Um exemplo é esta lembrança, que carrego por mais de trinta anos e que, possivelmente, estará, a partir deste momento, habitando os pensamentos daqueles que lerem estas linhas. Destaco: fazendo parte, jamais determinando.
Carl Gustav Jung, dizia que: “Queremos certezas e não dúvidas, resultados e não experiências, mas não nos damos conta que as certezas só podem surgir através das dúvidas e os resultados através das experiências”. Ou seja, não somos determinados pela linearidade das nossas experiências, elas apenas fazem parte das nossas possibilidades. Sempre haverá um momento no qual a tomada de decisão estará em nossas mãos.
Em resumo, em outro momento, o próprio Jung afirmou que “Eu não sou o que me acontece, sou o que escolho me tornar”.
E você, o que vai escolher para sua vida hoje?
Paz e bem.

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