A fórmula é básica: duas imagens semelhantes. Em relação à outra, uma possui sete erros.
Os olhos correm de uma à outra. O tempo todo, o foco está na comparação. Se aqui é assim, lá deve ser exatamente igual.
Ali… Ali está faltando algo. Falta um risquinho, uma bolinha, um botão da camisa. À flor, falta uma pétala. À cumeeira, falta uma ligação. “Ah, o chapéu é que está errado! ”
Se aqui é assim, lá deve ser igual. Mas jamais será. Algo precisa estar errado. A regra é clara: é um jogo de erros.
Um, dois. Cadê o ter-cei-… Aqui! Mais um. Falta pouco. Olha… Só mais um!
Sete. Fechou. Pronto. O jogo acabou.
Nem todos as versões são iguais. Algumas mais fáceis. Outras, nem tanto. Há níveis. E o bom jogador sempre se encantará pelo mais difícil.
Não raro, a vida se torna um jogo de erros.O problema está em não se resumir ao limite dos sete. Se está escrito que é preciso perdoar “setenta vezes sete”… este é um jogo fadado a não ter fim. A grande sacanagem é que, tanto no jogo quanto na vida, somos levados a procurar (insistentemente) o próximo erro. A perversa lógica de um erro já dado. Não se trata de um crime premeditado, mas muito se assemelha. Tudo o que nasce do determinismo acaba com qualquer possibilidade do “vir a ser”.
Crime, jogo e vida são separados quase que por um detalhe. Afinal, há quem diga que a vida é um jogo. E não duvide de quem leve a vida assim. Neste jogo de fórmulas programadas o próximo erro está logo ali, esperando para ser “riscado”.
O campo das relações humanas é fértil, neste sentido. De um erro só se pode esperar o próximo. Tudo leva a crer que “B” sempre será consequência de “A”.
Esta lógica preconiza que quando um é o “certo”, ao outro só resta a possibilidade de ser o “errado”. E desta fonte bebe o julgamento, a meritocracia e o preconceito. Sempre que alguém se julga “correto”, ao outro não resta possibilidade alguma, senão o mísero lugar de quem sustenta o “errado”, o “incorreto” e o “estranho”.
Entretanto, mesmo que o ser humano seja repleto de similaridades, dificilmente apresentará este espelhamento perfeito do jogo dos sete erros.
Recordo de um trecho, de uma canção de Zé Ramalho, que diz o seguinte: “É muito feio pra ser enfeite/ Muito defeito pra ser amor. Se em terra de cego quem tem um olho é rei/Imagine quem tem os dois”.
A vida não se resume a um jogo. Muito menos, de erros.
Paz e bem!

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