Conta uma fábula que um velho índio Cherokee ensinava seu neto,sobre os momentos de conflito.Contava que há uma batalha sendo travada dentro de cada um de nós. Ela seria como um duelo entre dois lobos. Então, preocupado, o neto pergunta ao avô qual dos lobos venceria. Ao que ele responde:
– Aquele que você mais alimentar.

Esta resposta, de forma muito simplista, dá conta das angústias infantis do neto e de quem mais possa reconhecer nela uma verdade absoluta. Porém, há algo de muito preocupante aí. Ela não condiz com nossa realidade psíquica. Pior, pode induzir a vários erros. Um deles é que a vida se trate, unicamente, de uma eterna guerra entre o bem e o mal. Entre o falso e o verdadeiro, o certo e o errado, o condenável e o politicamente correto.

Imagine que estes lobos representem, de forma muito resumida, aspectos naturais à vida: dor, coragem, tristeza, paz, angústia, paixão, esperança, vergonha, medo. Quantos mais ainda possamos reconhecer…Perceba que, simbolicamente, não somos acompanhados por apenas dois lobos, mas por uma verdadeira matilha.

Não podemos cair na ilusão de que a nossa natureza seja fragmentável. Pode haver dois lados, mas continuarão sendo dois lados de uma mesma moeda. Nutrir apenas um dos lados é desprezar a essência do outro.Tente não alimentar um dos lobos e mais próximo da natureza dele ele estará. E sua natureza é selvagem. Um caçador, que quanto mais faminto, tanto mais instintivo. Quanto mais instintivo, mais ardiloso e perigoso estará.

Então, a ação não está em lutar contra a própria natureza, mas em conhecê-la. Isto não significa aceitá-la. Este ato constitui em reconhecer e manter atenção sobre ela. Toda luz é seguida de uma sombra. Como expõe Carl Jung: “A sombra, é uma parte viva da personalidade e por isso quer comparecer de alguma forma. Não é possível anulá-la argumentando, ou torná-la inofensiva através da racionalização”. Naturalmente, podemos ser caridosos e/ou cruéis, santos e/ou pecadores…

Reconhecer nossas diferentes naturezas e trabalhar para reintegrá-las faz com que confiemos respeito e dignidade à vida. Cada sentimento carrega em si uma força dotada de sentido.

Vale para a vida amorosa, relações de trabalho ou política: Ignore apenas um aspecto… Trate-o como um cãozinho domesticado; e o lobo estará lá, com toda sua fúria, para mostrar seu lado mais cruel!
Paz e bem !!

Compartilhar

Deixe seu comentário