O poeta grego Hesíodo, em sua obra Teogonia, entre as tantas mitologias, versa sobre Prometeu. O que este personagem, de uma categoria inferior à dos deuses, teria de tão importante?
Prometeu é descrito por Hesíodo como aquele que desafia os deuses em favor do Homem. No episódio mais conhecido, Prometeu, em pleno banquete realizado para selar a paz entre deuses e mortais, utiliza-se de uma artimanha para enganar Zeus em favor dos humanos. Coloca frente a ele dois presentes. Um seria escolhido por ele, o outro caberia aos Homens. No primeiro, dentro de um estômago de boi, coloca as melhores porções de carne. No outro, recobre o couro e a ossada do animal, com uma reluzente camada de gordura. Zeus, deixando-se levar pela imagem, escolhe o segundo pacote. Ao perceber que fora enganado, fica furioso. Como castigo, retira o fogoda humanidade.
Outra, e talvez a mais importante ligação deste personagem com a humanidade, está no momento da criação dos animais que habitariam a terra. Esta tarefa foi conferida a Prometeu e seu irmão Epimeteu. Este, dedica-se à criação dos animais. Tarefa que o anima a tal ponto que, sem perceber, esgota todos os recursos dos quais dispunha. A cada animal confere uma qualidade. A uns, confere força. A outros, velocidade. Mais uns ainda, a resistência da couraça. Porém, aos humanos, nenhuma qualidade sobra.
Então, diante da situação de não poder completar sua tarefa da criação, Prometeu e Epimeteu encontram uma saída. Enquanto Epimeteu molda ser humano do barro, lá está Prometeu roubando o fogo dos deuses para entregá-lo como qualidade à raça humana.
Não é novidade aos ouvidos mais atentos. O livro de Gênesis também traz a versão de que Deus molda o Homem do barro.
É esta diferença de origem, encontrada entre a mitologia e a versão bíblica, que vale ser destacada. Em uma, nossa origem é divina. Na versão mitológica, ao contrário, Prometeu e Epimeteu são Titãs e não deuses. Eles reúnem em sua criação a matéria prima da natureza (o barro) e a possibilidade do vir a ser (o fogo).
Sabemos, muito bem, que tanta tecnologia só foi possível ao Homem por ele ter, em dado momento, controlado o fogo e todos os processos a ele associados.
Temos aí, quem sabe, mais uma das origens das mazelas humanas e, também, o que fora previsto por Zeus: o Homem dominaria o fogo antes de ser capaz de dominar a si mesmo. Ao dominar o fogo, o Homem coloca-se (ou melhor, pensa estar) no patamar dos deuses Olímpicos.
Estaríamos prontos para tanto?
Este, novamente, é assunto para um próximo comentário.
Paz e bem!

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