O sistema tributário brasileiro é extremamente injusto. Primeiro, porque cobra demais do cidadão e devolve muito pouco em serviços de qualidade. Em segundo lugar, porque drena até Brasília a maior parte dos impostos e, de lá, muito pouco volta para a origem, os municípios. O dinheiro só retorna, em doses homeopáticas, quando os prefeitos vão até lá, às custas do erário, para mendigar o que cabe às cidades por direito. É o que tem feito Kadu Müller nos últimos meses, inclusive recebendo críticas da oposição e de segmentos do funcionalismo que, de forma jocosa, já o apelidaram de “Kadê?” Müller, dada a frequência com que bate ponto na capital federal. Em sua defesa, o chefe do Executivo alega que não se trata de mera vontade, mas de uma necessidade, já que as receitas próprias não são suficientes para bancar investimentos. “Infelizmente, o dinheiro está lá. E tem de ser buscado”, explica.

Garimpo – Nas viagens a Brasília, em visitas a ministérios e a gabinetes de deputados e senadores, Kadu garimpou recursos que somam quase R$ 10 milhões. Boa parte, contudo, ainda está no campo das promessas. Dependem da elaboração de projetos e da liberação do dinheiro pelo governo federal que, muitas vezes, suspende os pagamentos alegando falta de recursos. Uma significativa parcela também é fruto de emendas parlamentares ao orçamento da União, cuja liquidação, não raro, é usada como moeda de troca por apoio aos projetos da Presidência da República no Congresso. Parlamentares que não se dobram ao governo nem sempre são contemplados.

Asfalto e saúde – Entre as principais conquistas, até aqui, estão verbas para mais uma etapa da Transcitrus, com o asfaltamento de um trecho da estrada Campo do Meio-Santos Reis; revitalização do Cais do Porto e um projeto de prevenção às cheias. Mas também há recursos importantes para a área da saúde, incluindo o Hospital Montenegro, e para a aquisição de um trator e uma retroescavadeira.

Vantagens – Na relação custo-benefício, as viagens do prefeito foram vantajosas para a comunidade. Em passagens aéreas e diárias, custaram cerca de R$ 29 mil. Levando em conta que todas as verbas prometidas sejam mesmo pagas, o município receberá R$ 9.899.000,00 nos próximos meses. Significa que, para cada R$ 1,00 investido, virão outros R$ 341,00.

Contas – Kadu também explica que as viagens têm servido para esticar prazos. Quando o governo libera um recurso, o município ganha um tempo para executar a obra e prestar contas do dinheiro recebido. Havia projetos em andamento sobre os quais, segundo ele, há quase um ano não eram repassadas informações à União. Nestes casos, por pouco, a Prefeitura não foi obrigada a devolver os repasses.

Rapidinhas
* O vereador Felipe Kinn da Silva (PMDB) está defendendo a criação de um banco municipal de materiais ortopédicos. Grande ideia. Hoje tem gente trocando votos pelo empréstimo de muletas e cadeiras de rodas.
* O surgimento de novos focos do Aedes Aegypti – já são 24 – é fruto da negligência da população, mas também da omissão do poder público. Enquanto não houver punição a quem deixa água parada e a Prefeitura não acabar com o esgoto a céu aberto, a Dengue será uma ameaça.
* Primeiro suplente do PTB nesta legislatura, Renato Antônio Kranz volta à tribuna da Câmara de Vereadores nesta quinta-feira à noite. Ele fica no Legislativo por duas semanas, até o dia 6 de abril, quando encerra a licença solicitada pelo titular, Neri de Mello Pena, o Cabelo.
* Depois de duas concorrências desertas, as obras de melhorias nas ruas Taquari, Ernesto Zietlow, Getúlio Vargas e Selma Wallauer possivelmente serão realizadas mediante dispensa de licitação. A Prefeitura corre contra o tempo para não ter de devolver à União os recursos conquistados.
* Chegou à mesa do prefeito o projeto de lei com o qual o governo pretende corrigir distorções ocorridas na implantação do plano de carreira dos servidores. As despesas com pessoal subiram e funcionários com baixa escolaridade passaram a ganhar mais do que profissionais pós-graduados.
* O envio à Câmara deve ocorrer nos próximos dias, mas o texto não vai anular aquilo que já foi conquistado pelo funcionalismo, graças ao princípio do direito adquirido. O objetivo é evitar que os problemas continuem se avolumando e comprometam de vez a capacidade de investimentos.

Buscando uma solução
Por enquanto, não há sombra de solução para o impasse criado na Câmaras de Vereadores após a renúncia de Josi Paz (PSB) e Felipe Kinn (PMDB) a seus cargos na mesa diretora. Amanhã, durante a sessão, haverá uma tentativa de escolher novo secretário e vice-presidente, mas, por enquanto, ninguém veio a público para demonstrar solidariedade ao presidente Erico Velten (PDT). A situação foi criada depois que ele demitiu a assessora especial Roberta Cardona, uma semana depois de admiti-la, sem consultar os demais membros da mesa.

Quase R$ 100 mil – O vereador Cristiano Braatz (PMDB), atento ao argumento furado do presidente – de que a demissão teve como objetivo economizar – protocolou um documento pedindo a extinção do cargo. Ele fez as contas e constatou que, em um ano, a soma de salários, INSS e vale-alimentação dá quase R$ 100 mil. Dinheiro que poderia ser gasto de outras formas, em benefício da população.

Troca – Curioso é que, pelo regimento interno da Câmara de Vereadores, a extinção de cargos é prerrogativa exclusiva da mesa diretora. Significa que o pedido de Cristiano só pode ser atendido se a composição estiver completa. Logo, se ele concordar em assumir uma das vagas em aberto, seu desejo será uma moeda de troca de alto valor.

Apetite – Há quem considere a atitude de Josi Paz equivocada. E até mais do que isto: seria uma manifestação do apetite da vereadora por cargos. No ano passado, a assessora demitida era funcionária do gabinete da socialista, que a teria indicado para uma nova posição com o único objetivo de nomear outra pessoa como sua assistente. Ou invés de um cargo, Josi queria dois. Quando a fome é muita, a congestão costuma ser uma consequência desagradável.

Espírito público
A idade avançada não abate o espírito público do ex-prefeito Ubirajara Resende Mattana. Com mais de 80 anos, ele segue ajudando a cidade onde é possível. Há poucos dias, atendendo a um pedido do presidente Karl Heinz Kindel, assumiu o cargo de vice-presidente de assuntos sociais, educação e saúde da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Montenegro e Pareci Novo. E provando que os frutos não caem longe da árvore, na diretoria, tem a companhia do neto Lorenzo Mattana Müller, vice-presidente de administração e finanças da entidade. As funções não são remuneradas.

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