Cabeças empalhadas de animais, penduradas como troféus pelas paredes de algum castelo são comuns em filmes de época. Num tempo onde conceitos como ecologia e preservação ambiental ainda estavam por surgir; caçar animais selvagens talvez fosse a única atividade onde um rico aristocrata teria a mesma chance de êxito que um plebeu. Afinal, feras se comportam da mesma forma diante de ricos ou pobres. Assim sendo, um animal abatido é o mais próximo que um nobre afortunado poderia sentir do gosto da meritocracia, já que todo o resto em sua vida seria consequência da herança. Então, aquelas cabeças não apenas parecem troféus; os são de fato.
Mudanças no curso da história abriram caminho para que pessoas comuns – plebeus – pudessem, com esforço e inteligência, melhorar de vida pouco a pouco, sendo que alguns até podem se comparar aos nobres de antigamente. Mas diferentes desses nascidos em berço de ouro, os “emergentes” tem sua própria história de vida como um troféu. É bem comum encontrarmos em empresas, grandes quadros com a foto aérea da mesma. A imagem do que foi criado, muitas vezes do nada pelo dono atual, é o resumo de uma vida profissional. Coisa que um rico herdeiro nem entenderia.
Não é preciso ser um grande empresário para ter uma foto aérea de enfeite. Facilmente encontramos isso entre o pessoal que vive no interior. Quando vêem um avião pequeno voando baixo e em círculos, alguém já diz: -Tão tirando fotos! Daqui uns dias vão vir vender um quadro. E não dá outra. O pessoal acaba comprando, pra pendurar na sala. Para eles, aquilo é mais que uma casa, um galpão, um arvoredo, ou que mais aparecer na foto; aquilo são as conquistas da vida pessoal e profissional, tudo junto e misturado.
Chega a ser nostálgico quando comparamos um quadro antigo desses com a atualidade. Ou melhor, quando tem na casa dois ou mais, fica ainda mais fácil observar as transformações que a propriedade sofreu no passar do tempo. A árvore que cresceu – ou que não existe mais -, o galpão que caiu no temporal, as cores que a casa já teve, o açude que secou, a cerca antiga que foi mudada de lugar, e outros detalhes que mostram a evolução do lugar. Também as roupas no varal, que não precisavam aparecer; ou quem seria aquela pessoa na janela, observando o avião. De qualquer forma, essas fotos são o registro de toda uma família. Se a casa de uma pessoa é seu castelo; então vamos exibi-la para as visitas, com o devido orgulho. Bem melhor que cabeças empalhadas.

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