Foi alucinação minha, ou estão construindo uma antena de celular no bairro Santo Antônio, quase às margens da 287? Não lá na parte alta, perto da Taqi; mas sim na baixada, próximo daquele trecho que inunda quando chove com um pouco mais de coragem. Uma antena a mais na cidade é sempre motivo de comemoração, e certamente o sinal melhorará tanto no bairro quanto no centro. Agora, convenhamos, está quase dentro de um buraco. Na minha teoria baseada no “achismo”, acho que antenas deveriam ficar em terrenos mais elevados. Ouvi boatos sobre as construções em topos de morros não serem mais permitidas devido a questões ambientais. Talvez seja verdade e, se for, não irei desmerecer a importância do tema, mas uma coisa é certa: se as antenas de celulares não puderem mais ser construídas em locais elevados, o interior do município ficará incomunicável.
Há alguns meses, aconteceu na Estação da Cultura uma Audiência Pública para discutir questões relacionadas à telefonia móvel e internet no Vale do Caí. Estive no evento, no qual a participação de políticos e assemelhados foi maior que a da comunidade em geral. Tirando os discursos já esperados desses; valeu a pena ouvir os representantes da Anatel explicando a situação da telefonia no país. De acordo com eles, antes da Embratel ser privatizada, o governo havia decidido que, para o país se desenvolver, deveria aumentar o número de pessoas com telefone. Tudo certo, não fosse o fato de, na época, o celular ainda ser algo raro, quase uma modinha que alguns adquiriam para aparecer. Quando finalmente venderam a estatal, colocaram no contrato algumas cláusulas obrigando a compradora a investir para que mais pessoas tivessem telefone. Telefone fixo. Como ressaltou o representante da Anatel: – Na época, não se imaginava que os celulares iriam, um dia, superar os fixos em número de linhas. Sendo assim, não há no contrato com as operadoras nada que as obriguem a oferecer sinal de celular com qualidade em todos os lugares. Em outras palavras, as operadoras só irão investir em antenas onde for economicamente rentável.
Aí lascou o pessoal do interior. As empresas não vão colocar antena em lugares com algumas poucas famílias morando, entre morros e mato. Sendo realista, a situação tende a retroceder com essa de construir antenas nas baixadas. Seu celular só vai funcionar quando for ao centro. E sobre a internet, pelo menos o cara da Anatel disse algo animador. Esse serviço está ficando nas mãos de pequenas empresas locais, que trabalham com sistema via rádio ou fibra óptica. Dessa forma, conseguem entregar um sinal de melhor qualidade, além de um serviço de assistência mais eficiente. Resolver um problema cara a cara num escritório é melhor do que ligar para um 0800 qualquer e conversar por horas com cinco atendentes que, no final, não podem te ajudar.
Resumindo: se você mora no interior e passa trabalho pra conversar pelo celular, lamento; tá na hora de aprender a mexer no tal de whatsapp. É xarope, mas ainda é melhor que sinal de fumaça ou pombos correios.

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