Na esperança de ajudar futuros palestrantes em feiras escolares, destacarei abaixo uma lista de impressões que tive durante minha primeira oportunidade de ficar diante de estudantes de quinta e sexta séries, na EMEF José Pedro Steigleder. Não só ficar diante, mas efetivamente conversar com elas durante uma meia hora. Não vou pra frente de uma turma de alunos desde que saí da escola. E o pior; eles não eram meus colegas. Mesmo assim, foi uma baita experiência. Talvez, se tais convites voltarem a acontecer, possa mudar minhas impressões originais, mas isso fica para as próximas edições. Por hoje, minha lista de lições é essa:
– O fundo da sala enche primeiro. Vai ver a culpa é a feiura do palestrante. Mas se lembro bem, o mesmo acontece nos ônibus de excursão. Talvez os alunos pensem que, ficando no fundo, estarão escondidos e, desse modo, não precisarão participar efetivamente da palestra.
– Eles sentam em grupos. As panelinhas continuam existindo. Nada mais natural os alunos sentarem perto daqueles com mais afinidades. Claro que o efeito colateral disso é os inúmeros comentários em tempo real entre eles, o que provoca a conhecida “conversa paralela”.
– A professora precisa estar lá. Se num dado momento a conversa paralela ficar mais alta que a voz do palestrante, a professora intervirá. Pode ser apenas se levantando e olhando seriamente para os alunos, que sentem o clima ficando pesado e vão aos poucos acalmando os ânimos.
– Não importa o que você faça, sempre haverá alguns que vão dormir. Não é nada pessoal, mas alguns alunos não vão prestar atenção na atividade, nem que o palestrante faça um stand-up comedy. Eles só estão lá pela presença, ou nota, ou porque acham que ninguém vai notar se derem um cochilo.
– A maior parte das perguntar vai partir do meio pra frente. Diferente da turma do fundão, a galera que se dispõe a sentar mais próxima do palestrante também será a com mais coragem para fazer uma pergunta.
– Se as perguntas terminarem, a professora faz as suas. Pode ocorrer de a turma ter poucas perguntas e acabarem antes de terminar o tempo estipulado para a conversa. Nesse caso, a professora vai dar um jeito de tirar alguns coelhos da cartola.
– Qualquer coisa que esteja no campo de visão deles será mais interessante que o palestrante. Pode ser algo trivial, como uma pomba. Acho que tem relação com a rebeldia juvenil. Tipo; se a professora mandou prestar atenção aqui, então vou olhar para o outro lado.
– Tente fazer com que eles deem uma boa risada. Não digo incorporar o Ari Toledo, mas pelo menos alguma piada inesperada, ou algo engraçado, para aliviar a tensão. Isso pode aumentar o interesse dos alunos em você; caso contrário, eles continuarão olhando para a pomba.
– Pense como era no tempo que você tinha a idade deles. Acredite, não mudou nada.

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