Quem teve um jogo de dominó, mas não com quem jogar, certamente já ocupou o tempo fazendo uma fileira de peças em pé, só para derrubá-las no final, e ter com isso alguns escassos instantes de diversão destrutiva após longo e tenso período de construção. O efeito da queda de algo, que com isso derruba outra coisa próxima, mesmo não estando diretamente ligado, recebe o nome de “efeito dominó”. Tal fenômeno aparece em situações que vão além de passatempos.
Semana passada, conhecemos o caso das crianças de Linha Catarina, que ficaram sem o transporte escolar, restando aos pais levá-las para a aula de trator. Tiveram que usar o veículo de trabalho, pelo mesmo motivo que causou a suspensão do serviço: o péssimo estado das estradas. Não é de hoje que a manutenção das estradas do interior está no topo da lista de reivindicações dos contribuintes da área rural. E estou usando o termo “contribuinte” propositalmente porque, eleitor, qualquer um é. Agora, observem o efeito dominó em ação. O poder público deve cuidar da conservação das estradas, além, é claro, do transporte dos alunos. Dois serviços coordenados por secretarias distintas. Nesse caso, uma não consegue cumprir com suas obrigações, porque a outra não fez a sua parte primeiramente. Como no jogo de dominó, a peça do transporte escolar caiu; derrubada pela peça da manutenção das vias, que caiu primeiro. Seguindo essa lógica, qual peça no dominó da administração pública caiu antes, derrubando a peça da manutenção de estradas?
Antes de seguir esse raciocínio, vou mostrar outro exemplo. Há alguns meses, houve em Porto Alegre o caso de um posto de saúde que fechou porque ficava num bairro violento. O medo fez com que os profissionais se negassem a trabalhar naquelas condições. Novamente, o efeito dominó se faz presente. Primeiro cai a segurança pública naquela região, depois é a vez da saúde pública desmoronar.
Voltando ao nosso caso doméstico, o que causa a incapacidade da administração municipal em manter as estradas transitáveis? Pode ser o despreparo dos responsáveis pelo setor. Ou talvez a falta de recursos para manter o maquinário em funcionamento. Caso seja a segunda opção, o que nos levou a essa escassez de dinheiro? Talvez a corrupção, ou a falta de investimentos para fortalecer a arrecadação do município, ou ainda a incapacidade de cobrar daqueles que devem aos cofres públicos. Pode ser até mais de um desses motivos; talvez todos. O importante é fazermos o caminho inverso das peças, até encontrar a mão de quem derrubou a primeira. O Estado deve ser como peças equilibradas sobre uma base sólida, sempre. Caso contrário, só nos sobrarão dominós espalhados pelo chão.

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