Quando menos se espera, surge uma frase de efeito, carregada de significado e que te joga para dentro de uma reflexão filosófica intensa.
– Bacon é vida!
Decretou com conhecimento de causa um participante do curso de culinária. Para concretizar sua certeza, os demais na sala concordaram com a sentença. Claro que isso não é uma verdade absoluta. Há quem discorde. Os porcos certamente sim.
Menos de 24 horas depois, escuto o seguinte:
– Café é vida!
Duas afirmações que vinculam o ato de viver com elementos gastronômicos. Coincidência? Comentei com a segunda pessoa sobre a declaração do bacon, e ela respondeu: Mas bacon também é vida.
Talvez o que elas queriam dizer era o que consideravam importante para dar alegria ao seu mundo. Aquele algo a mais, que amplia a sensação de viver para muito além do simples “sobreviver”. Algumas pessoas alegram suas vidas com comida, outras com bebidas. Há quem diga que dinheiro é vida; fama é vida. Até quem defenda que arma é vida – dentro de um contexto específico.
Declarar que alguma coisa é vida tornou-se um modo de expressar a importância deste algo durante sua estadia nesse mundo. Alguns vão além; consideram outras pessoas como sua vida. “Fulano é minha vida”, “Beltrana é minha vida”. Uma bonita declaração, e que deve ser dita, afinal, o fulano ou a beltrana podem muito bem se tornarem ainda mais especiais, se souberem de sua importância. Diferentemente, o café não ficará mais aromático, ou o bacon mais saboroso; independente do quanto você os elogie.
Mas cuidado ao colocar sua vida nas mãos de coisas, e principalmente, pessoas. Por motivos diversos, que fogem ao nosso controle, pode ocorrer que eles deixem de fazer parte do seu dia a dia. Sendo assim, precisamos aprender a seguir em frente; encontrar outras fontes de vida, para não permitir que aquela falta lhe arraste para uma simples sobrevivência automática. A vida continua, mesmo que alguém parta, mesmo que o médico lhe corte o café e o bacon.
O que é vida para você?

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