Se você pudesse perguntar a um estrangeiro o que lhe vem à cabeça quando pensa no Brasil, provavelmente a resposta incluiria algum desses itens: Praia, carnaval e futebol. Parece que essa é a única imagem que conseguimos vender lá fora; e filmes como o Velozes e Furiosos gravado no Rio de Janeiro não ajudaram em nada. Falando de Carnaval, os gringos devem achar que nascemos sabendo sambar, tipo dom ou característica genética. Qual a provável reação de um estrangeiro, caso caísse de paraquedas na Oktoberfest?
Primeiro; nada de extravagante. A decoração se baseia em preto, vermelho e amarelo; dispensando as outras cores. As roupas são normais, com um e outro trajado de Fritz e Frida, talvez no máximo com as mangas ou as saias um pouco mais curtas quando comparados com os trajes europeus. Alguns, só para entrar na brincadeira, usam chapéus típicos ou tiaras floridas, mas só.
Se o estrangeiro espera um clima de praia, se engana. Tudo que verá serão pernas brancas após todo um inverno usando calças, e cujo bronzeado, que talvez tenham ganhado no último verão, já perderam no outono. Junto a isso, melhor estar preparado para uma alta concentração de cabelos loiros e olhos claros por metro quadrado. Sem contar nos sobrenomes difíceis, com uma média de quatro consoantes para cada vogal.
Na Oktoberfest tem que ter um parque para as crianças. Tem que ter comércio, com barracas de lembrancinhas, bugigangas, comidas típicas, tratores… Isso mesmo; tratores. Mesmo durante a festa, esse pessoal não deixa de pensar no trabalho. Por isso também tem exposição de empresas locais, revenda de veículos, e assim vai. As crianças brincam nos tratores novos tanto quanto no parque.
Quanto à música, pode esperar sentado pelo samba. O que mais se ouve é bandinha, com o tradicional poropopi, popi, popi, pó. E não adianta fugir, pois elas, com seus instrumentos portáteis, caminham em meio à multidão. Talvez a única coisa que pode ser vista numa Oktoberfest, que lembre os bailes de carnaval, são os trenzinhos que volta e meia algum grupo começa e logo outros vão se juntando à composição.
E é claro, não podemos deixar de observar o consumo exagerado de chopp. É muito líquido que esse povo bebe. Alguns carregam enormes canecas penduradas no pescoço. Sei lá se o estômago germânico é mais espaçoso, ou se o cérebro possui maior resistência ao álcool, mas o certo é que tem uns viventes que sabem esconder uns litros facilmente. Haja banheiro.
Isso é a Oktoberfest, uma festividade local, de origem estrangeira, mas sem a pretensão de ser para estrangeiros. Coisa da ponta de cá do Brasil.

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