Tomara que o Tiago Leifert fique longe da Libertadores. Seria difícil conseguir manter a separação do futebol com a política, que ele apregoa, porque essa relação é indissociável. A começar pelo fato de que o nome da maior competição do futebol sul-americano presta uma homenagem aos heróis que libertaram a América de antigos exploradores. Uma referência a San Martin, Sucre, Bolívar, entre outros.
Também seria um tanto constrangedor ele falar sobre o estádio do Racing, de Avellaneda, na Argentina, que se chama Presidente Perón, alusivo a Juan Domingo Perón, torcedor do clube e que governou o país por três mandatos. Ou visitar a casa do Nacional de Medellin, AtanasioGirardot, um dos heróis da independência colombiana, local que nos traz lembranças da linda homenagem feita após o trágico acidente com o avião que levava a delegação da Chape.
Aqui no Brasil também, vários estádios foram batizados em referência a políticos durante o regime militar. O Mineirão, por exemplo, na verdade tem como nome “de batismo” José de Magalhães Pinto, que governou Minas Gerais na década de 60 e foi um dos fundadores da UDN. Em Fortaleza, o Plácido Aderaldo Castelo ficou mais conhecido como Castelão, e também tornou inesquecível a passagem de um governador, igualmente nos anos de chumbo.
Isso tudo só falando de nomes de estádios, porque não nos esqueçamos de como se deu a relação entre políticos, CBF, clubes e empreiteiras na organização da Copa do Mundo de 2014. Então, quando Leifert escreve dizendo que futebol e política devem estar separados, ele briga com os fatos. Dá murro em ponta de faca. Aristóteles disse que o homem é um animal político por natureza. E, é claro, estava coberto de razão. Porque fazemos política o tempo todo, nas nossas relações sociais, afetivas, familiares.
Eu sei o que o Tiago quis dizer. Ninguém aguenta mais a política e, sobretudo, os políticos brasileiros. Estamos fartos, cansados, até as tampas. Queremos o futebol como distração, alienante mesmo, nem que seja apenas por 90 minutos. Todavia, a política está em tudo. E só vamos melhorar o quadro com mais política. Isso mesmo. Uma política melhor, mais participativa, transparente e plural. Tiago, sinto dizer, mas a política vai estar em tudo, até dentro da casa do BBB. E muito.

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