Era uma vez um homem chamado Brasileiro. Certo dia, ele resolveu voltar mais cedo para casa, para fazer um agrado à sua amada esposa, chamada Polítika. Ao chegar em casa, surpreendeu-se ao encontrar Polítika na cama, nua, ofegante e com uma expressão de quem buscava se recompor. O quarto tinha um ambiente e uma atmosfera inebriantes, com o perfume do pecado exalando por cada metro quadrado. Brasileiro ficou preocupado, o que teria acontecido? Em seguida, percebeu que atrás das cortinas havia outro homem, apenas de cueca, banhado de suor, aparentando um certo desconforto.
Se você estivesse na posição do Brasileiro, o que você faria? Escutaria a explicação da esposa? Seria capaz de pensar que ali ocorrera uma traição? Perderia o controle? Não, Brasileiro não perdeu o controle, nunca perde. O que ele fez? Foi interrompido por uma esposa preocupada em esclarecer o ocorrido. Polítika fez questão de contar em detalhes que, naquela tarde, o calor insuportável fez com que ela chamasse um técnico para mexer no condicionador de ar, porque o Brasileiro sempre protelava o conserto. Mas com o calor muito forte, o prestador de serviço, coitado, sentiu-se muito mal. E, por isso, ambos resolveram ficar mais “à vontade”, o que evidentemente jamais, sob hipótese alguma, poderia significar algo além disso.
Sentado à beira da cama, impávido e tranquilo, Brasileiro não tirava os olhos da esposa, que seguiu explicando algumas coisas. Brasileiro não deveria dar ouvidos às vizinhas, Veja, Globo e Folha. Fofoqueiras que só elas, viviam a inventar mentiras e acusações sem fundamento. De certo, seriam capazes de deduzir que o desenlace do que havia recém acontecido naquela mesma cama seria um caso extraconjugal. Ora essa.
Estava tudo resolvido. Os dias seguiram como antes. Mais ou menos. Brasileiro passou a desconfiar da Polítika. O que teria de fato ocorrido naquela tarde calorenta? Dava para acreditar na Polítika? Passado um tempo, Brasileiro procurou uma velha amiga, Justiça. Nela sim, ele poderia confiar. Sabia que estava ali o ombro amigo para todas as horas. Só Justiça, com sabedoria e imparcialidade, poderia resolver sua inquietude. Muito atarefada, Justiça retornou às ligações e jurou que iria atendê-lo. Brasileiro segue esperando. Aflito. Ela é a última esperança. Enquanto isso, Brasileiro não sabe no que acreditar. E segue convivendo com Polítika, porque, apesar de tudo, sabe que não pode viver sem ela.

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