Na semana passada, choramos juntos. Poucas vezes a dor pode ser tão convergente como diante da morte de verdadeiros heróis. Como são apresentados os super-heróis da ficção? Valentes, destemidos, sempre prontos para defender os que precisam. Permanentemente a postos para situações extremas, de perigo. Suas vidas, nas telas e quadrinhos, é, essencialmente, resumida a nos proteger, cuidar. Em suma, vivem para garantir a nossa segurança.
Não é assim a vida de um policial? Quantos deles já foram mortos em momentos de descontração, folga, lazer, junto às famílias? Longe das fardas, desarmados, curtindo raros momentos de relaxamento e contemplação. Quantos perderam a vida por terem escolhido esta profissão?
Leandro morreu em combate. O último deles. Antes, enfrentou o parcelamento de salários, as contas em atraso, o risco indissociável, a falta de estrutura, de efetivo. A frustração de não conseguir ser mais atuante. Leandro morreu por nós também. Pela sua filhinha, que durante toda a vida vai tentar tocar o rosto de um herói que partiu antes de ensiná-la a correr, nadar, desenhar. Para ela, o super-herói também ficará apenas no imaginário.
Quando morre um policial, perdemos alguém que nos é caro, ainda que sem conhecer seu nome. Quando morre um policial, nos sentimos órfãos, amedrontados diante da barbárie. Quando morre um policial, temos a péssima sensação de injustiça, em que o mal vence o bem.
Para ser um super-herói, não é preciso ter capas, voar, dar saltos de 3 metros, veias saltadas, usar máscaras. Não precisa ser vermelho, verde ou amarelo. Pode ser de carne e osso. De verdade. Pode chorar quando tiver vontade. E rir quando assim quiser. E tombar quando for inevitável. Pode não ser imortal. Infelizmente, pode não durar para sempre. Quando morre um policial, renasce a força entre os colegas que ficam, para seguir em frente.Como ilustrado na foto de capa do Ibiá da última quinta-feira.

Compartilhar

Deixe seu comentário