A semana que passou nos deixa mais perguntas que respostas. Que lições aprenderemos com as paralisações de caminhoneiros? Teremos um precedente para outras manifestações de categorias organizadas, pressionando o poder público pela solução de demandas históricas? Terão os nossos políticos, daqui por diante, atenção maior às vozes das ruas antes de medidas extremas e que ameacem a popularidade dos mandatários?
Desde a época nada saudosa da hiperinflação, não víamos filas em postos de combustíveis e corridas ao supermercado como se o mundo fosse acabar. O mundo não, a paciência, essa sim, foi pro espaço. E olha que demorou.Os combustíveis não subiram exclusivamente por vontade do Temer, pela roubalheira nos governos do PT, pelas arruaças do Trump ou a maluquice do Maduro. Há pelo menos dois problemas mais complexos que esses. Em primeiro lugar, a altíssima carga tributária que dificulta a prática de preços mais palatáveis ao nosso bolso. Em segundo, a dependência de um modelo de transporte rodoviário, e por consequencia, do petróleo, em um país continental. Para termos uma noção comparativa, enquanto a Rússia tem 87 mil quilômetros de ferrovias, a China 86 mil e os Estados Unidos225 mil, o Brasil tem menos de 30 mil quilômetros de trilhos, um terço deles construído pelo Imperador Dom Pedro II.
Os impostos são altos porque o Estado é caro e ineficiente. Só que a solução é bem mais complicada que simplesmente diminuir o seu tamanho. A falta de investimentos no setor ferroviário é atribuída especialmente ao Presidente Juscelino Kubitschek, que a partir de 1956 implantou suas ideias de desenvolver o país “50 anos em 5”, incluindo ai um avanço na indústria automobilística. Os trens teriam ficado de lado, por conseguinte. O que, na verdade, começou antes, com o governo de WashintonLuis, e seguiu ao estágio derradeiro na ditadura militar, inclusive para deter a organização coletiva da classe ferroviária, que costumava ser coesa nas suas reivindicações.
Tá, e ai? A gasolina e o diesel vão voltar às bombas, os mercados reabastecidos e a vida vai tomar seu curso normal (assim espero). E o que aprendemos? Estamos mais politizados? Na próxima greve do magistério, teremos outros olhares sobre o Cepers? Qual luta vale mais? Comida na mesa, gasolina no carro ou educação de melhor qualidade? Que saibamos formular as melhores perguntas. Só assim, chegaremos mais perto das melhores respostas.

Compartilhar

Deixe seu comentário