Há uns 15 anos, um livro impactou de forma consistente o que eu pensava sobre o presente e o futuro, especialmente em questões econômicas e de trabalho, tecnologia e relações internacionais. “O mundo é plano” foi um sucesso absoluto de vendas em todos os continentes e trazia um olhar aguçado do que o premiado jornalista Thomas Friedman percebeu nos lugares por onde passou. Hoje, é fácil enxergar o que ele nos contou lá atrás. Difícil é prever os próximos 15 anos e o que está por vir.
Lembro de dois exemplos marcantes que Friedman trouxe. No Japão, cartazes na rua promoviam shows, e era possível, através de um código de barras impresso, comprar o ingresso ali mesmo, na rua, na propaganda afixada na parede. Parecia incrível, distante. Hoje, embora não seja tão comum por aqui, também não é nada de extraordinário. Na Índia, já no começo dos anos 2000, investimentos em educação e tecnologia abriram portas para milhões de jovens conectados com o mundo. Aproveitando o fuso horário, enormes escritórios reuniam indianos que trabalhavam para grandes empresas americanas enquanto que, na América, eles dormiam.
Muitas coisas e comportamentos mudaram. Na década de 80, era permitido fumar em aviões, ônibus, lugares fechados. Poucas atitudes podem ser mais desrespeitosas que fumar do lado de quem não gosta de cigarros. As restrições ao fumo colocaram placas indicativas e gradativamente os fumantes foram se distanciando dos demais. Nada mais justo e democrático. Hoje, as placas são de menor importância. A maioria absoluta sabe que não pode mais fumar em teatros, cinemas, etc. As futuras gerações vão custar a crer no que acontecia na época dos pais e avós.
Paradoxalmente, ainda damos importância para comportamentos e sentimentos exclusivamente privados, que em nada deveriam importar a terceiros. A vigilância da sexualidade alheia é uma dessas coisas difíceis de entender. A quem interessa o que o vizinho, o colega, o chefe ou o porteiro do prédio fazem quando chegam em casa? Se dormem com um homem ou uma mulher? Avançamos em tantas frentes. E não aprendemos nada em outras. Dominamos a tecnologia mas ainda assistimos uma babaca repugnante criticando uma criança pela cor de pele.
Sem dúvida, os próximos 15 anos serão de muitas evoluções, novas facilidades e imensos desafios. Estejamos preparados, na medida do possível. Mas além de máquinas e novos aplicativos, que possamos assistir ao fim de tanto preconceito e ignorância. Que estas novas gerações multipliquem amor e paz. Do jeito que cada um quiser. Sem medo de ser quem se é.

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