Que a política brasileira precisa mudar, todo mundo sabe, reconhece e concorda. A nova política já nasce velha de tão banalizada, sobretudo entre os discursos dos próprios políticos. E a exemplo da mulher de César, não basta mudar, tem que parecer que mudou. Criativos, os partidos brasileiros, que são dezenas, resolveram reinventar-se. Não que tenham criado códigos de ética mais rígidos contra atos de corrupção, ou sejam mais seletivos em suas escolhas. Também não foi o caso de repensarem os critérios para formação de alianças, tampouco o compromisso de fidelidade aos seus planos de governo.
A mudança começou pela chamada. O PTN virou Podemos. O PTdoB tornou-se Avante. O PSDC, Democracia Cristã. O PMDB, um dois mais antigos partidos do Brasil, voltou às origens tirando o P. O Partido Progressista é apenas Progressistas. E até o PEN, fundado há apenas 6 anos, já entrou na onda e quer ser chamado de Patriota.Há alguns anos, o PFL já havia se tornado Democratas, o que é muito emblemático sobre tudo isso, visto que a base do partido e os principais líderes apoiaram ou se identificam com as ideias e modus operandi da ditadura militar, iniciada em 1964. Mas o nome aceita tudo.
Agora, foi a bancada gaúcha do PT no Congresso que resolveu acrescentar aos nomes de registro em plenário a palavra “Lula”, evidentemente em desagravo ao ex presidente preso. Curioso que a medida, ridicularizada por boa parte dos que pensam diferente, acabou sendo imitada. Vereadores de diferentes cidades brasileiras passaram a usar sobrenomes “Moro”, “Lava Jato”, para marcar posição. A coisa chegou a tal ponto que o presidente do legislativo da capital gaúcha pensa em propor mudanças no regimento interno, a fim de evitar essas homenagens por curto período. Quer ter Lula ou Moro no nome? Então vai ter que aguentar pelo menos um ano.
Os nomes são importantes. Revelam uma identidade, personalidade. O que querem ser e como gostariam de ser percebidos. Ótimo. Agora, com novos batismos, quem sabe tenhamos novas condutas, e uma política mais próxima do que as pessoas esperam. Quem sabe? Mudar o nome nestes casos é barbada. Esperamos outras mudanças. Bem mais complexas, fundamentais e inadiáveis.

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