O Inter voltou ao seu lugar. Foi sofrido, até constrangedor. Sem taça e sem graça. De qualquer forma,fundamental e inadiável era regressar à série A. Mas o que importa mesmo é olhar para si e analisar as causas que levaram ao fracasso e buscar os caminhos para novas conquistas. E isso não vale para a vida da gente? Para nossas empresas? O futebol pode ser o ópio do povo, a distração “pão e circo”, alienante, tudo isso. Entretanto, também pode ser uma metáfora didática para entendermos um pouco melhor a vida e suas circunstâncias.
Por essas coisas do destino, o melhor exemplo está ali do lado, no vizinho. O Grêmio hoje é a cara do seu presidente. Correto, competente, sério, respeitoso com os adversários. Romildo sabe o tamanho da instituição que representa, dos milhões de apaixonados que apoiam incondicionalmente aqueles que vestem azul, preto e branco. Romildo foi um gestor que pagou dívidas, melhorando a imagem e a saúde financeira tricolor. Cercou-se de pessoas competentes e comprometidas, deixando eles fazerem o que se propuseram a realizar. Não fez loucuras. Não misturou política partidária e assuntos pessoais com o Grêmio. Não pisou em ninguém. Não bateu em quem já estava no chão. O reflexo do campo é só um espelho de uma mudança estrutural que no início não foi fácil de ser digerida. O torcedor é imediatista. E nós não?
O Inter adotou uma fórmula repetida por outros grandes do futebol brasileiro que obviamente os conduziu ao mesmo fracasso. Depois de conquistar a glória máxima possível diante do Barcelona, e ainda faturar outra Libertadores quatro anos depois, sucumbiu diante da vaidade e soberba de dirigentes arrogantes, presunçosos e vis. Se Romildo é a cara deste Grêmio finalista da Libertadores, Piffero é a imagem personificada de um Inter rebaixado, desmoralizado e, o que é pior, de nariz empinado, como se estivesse em uma bolha, uma realidade paralela. O Inter do Piffero parece a Gleisi Hoffmann, falando de um PT que não existe. Por maior que sejam, as grandes instituições não podem apegar-se exclusivamente ao passado, sem reconhecer suas falhas e transferindo as responsabilidades para terceiros.
Falo de futebol, mas também de cotidiano, de humanidade. Sempre podemos mudar, evoluir, errar, aprender. Dar passos para frente, para trás. Grandes empresas foram fundadas por empreendedores que quebraram várias vezes. Quem disse que time grande não cai? Esse foi o primeiro passo rumo ao abismo. Time grande cai e volta. Se tiver coragem de baixar a cabeça, trabalhar duro, ser persistente, pode sair fortalecido. Vale para o esporte, para a vida, para todos.

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