Há 3 anos, eu não sabia o que era tirar férias de verdade. Por férias de verdade, entenda-se não ter hora para acordar, nem compromissos agendados, nem nada. Apenas viver dia após dia. No meu caso, não ter hora para acordar tornou-se uma grande coisa. Grande mesmo, porque em 15 dias eu recuperei o sono atrasado de 2017. Dormir é revigorante e um poderoso remédio contra o estresse. Além disso, também tive a chance de ser pai 24 horas, o que obviamente é impossível quando se trabalha.
A paternidade não me deixou concluir o livro que comecei a ler, mas cheguei ao final do segundo terço das mais de 400 páginas. Se você tem uma criança pequena, sabe que não é pouco. Pois o livro é bem interessante, um bestseller internacional chamado “Homo Deus, uma breve história do amanhã”, uma continuidade do outro mega sucesso, “Sapiens, uma breve história da humanidade”. Interessante o autor chamar de breves duas histórias com centenas de páginas, mas deixemos isso de lado.
Um das tantas passagens do livro conta que, na década de 1920, um renomado psicólogo norte-americano chamado John Watson dava as seguintes orientação aos pais: “Não abracem, nem beijem seus filhos. Não os peguem no colo. Se for realmente necessário, beijem-lhes a testa antes de dormir, uma vez. Cumprimente-os com um aperto de mão pela manhã”. De acordo com seus estudos, crianças abraçadas e beijadas por seus pais tenderiam a ser adultos carentes, egoístas e inseguros. Somente na década de 60 essas ideias foram refutadas e os vínculos emocionais foram reconhecidos como fundamentais nas relações entre pais e filhos.
Vocês, pais de 2018, certamente ficaram tão ou mais estarrecidos que eu ao saber disso. Mas não deixa de ser interessante olhar o passado para não repetir os erros no futuro. Recentemente, assistimos incrédulos às agressões cometidas em uma escola de Educação Infantil aqui do lado, no Caí. Talvez no século XX, em algum momento, se entenderia a prática como algo necessário para o fortalecimento do caráter já no começo da vida. Felizmente evoluímos.
Como a Ciência ou alguma interpretação foi capaz de imaginar que carinho poderia fazer mal às crianças? Fosse assim, eu estaria eternamente condenado por todos os colos, beijos e dengos destas férias. O tal Watson devia ter lá suas razões. Mas é difícil imaginar como demonstrar afeto pode prejudicar alguém…

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